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Objeto de Estudo Critica do Psicologismo

“A existência de todo objetos dos sentidos externos é duvidosa”. Comecemos com essa afirmação de Kant que pode ser entendida como consciente.

Objeto de Estudo Critica do Psicologismo

"A existência de todo objetos dos sentidos externos é duvidosa". Comecemos com essa afirmação de Kant que pode ser entendida como consciente e, logo Hegel invertendo esse conceito diz que ela não deve ser entendida como negação do que é real, mas com sua conservação, isto é, inconsciente. Os fenômenos psíquicos – tanto, quando estamos despertos ou no período de sono -, sempre estão latentes, fazendo uso de sinais, símbolos ou palavras. Esses diversos modos pelos quais se ligam os conteúdos conscientes e inconscientes estão ligados a tudo que forma a atividade humana ou do que o sujeito pode conhecer. Conhecer aqui á apenas a iniciativa do sujeito em tornar o objeto presente ou manifesto, para evidenciar a própria realidade. De modo que, o sonho é a conservação de tudo o conteúdo que se conhece. Logo, tudo que sonhamos nos oferece é em primeiro lugar uma visão simplista o que nos faz supor que o vinculo que une um nome a uma coisa constitui uma operação muito simples e, de certo modo, muito longe da verdade. Portanto, afirmar que o inconsciente seleciona símbolos para seu propósito seria o mesmo que dizer que o sonho como uma árvore de natal, onde o inconsciente (á árvore) serve de ornamentos. Interpretar sonhos foge completamente do paradigma da interpretação do signo verbal ou escrito, relação entre signo verbal arbitrário e convencional ou quando se estabelece a correspondência entre um sistema axiomático e determinado modelo, ou seja, um exemplo completo concreto ou um conjunto de entidades que satisfaça às condições enunciadas pelo sistema axiomático, etc. Então, posso escrever uma narrativa descritiva de uma ou duas paginas, levar a um psicólogo e dizer que foi um sonho que tive; que evidência ele terá se trata de um sonho de olhos abertos ou estado onírico? Se ele acreditar que sua interpretação foi resumida, em um interessante e bem sucedido caso de análise, pouco lhe importara se foi com a luz apaga ou acessa. Percebe-se que para alguns psicólogos a condição psíquica para quem sonha não é nada diferente das Fabulas de La Fontaine ou do grego Esopo: um tal sonhador que os seguidores de Jung chamavam de Henry, para quem não o conhece e se depara com suas narrativa descritivas, a qual diz ele ser "sonhos", pensa estar diante de um artista que pretende dar um outro sentido a literatura; sequência de fenômenos psíquicos ( imagens, atos, ideias, etc ), que involuntariamente ocorreu durante o sono. E, essa capacidade artística do sonhador Henry se expande também para as artes-platicas, ou seja, representa com fidelidade os desenhos dos estranhos animais de seus "sonhos". O que estamos a questionar aqui não é a "autorrepresentação do inconsciente", mas, sim a fragilidade dessa questão em se acreditar se uma coisa é uma coisa ou outra coisa, isto é, um sonho ou uma imaginação consciente autorrepresentada pelo inconsciente. Para Freud a literatura era apenas um tipo de sonho, ou seja, sintoma condicionando o sentido. Descartes já empregava o mesmo tema como elementos de dúvidas muito antes de Withelm Wund ter fundado a psicologia moderna. [...] O que acontece em sonho não parece tão claro e distinto quanto o que acontece durante a vigília. Mas, pensando a respeito, lembro-me de ter sido muitas vezes enganado por simples ilusão, enquanto dormia. E, detendo-me nesse pensamento, vejo com clareza que não há indícios concludentes, nem sinais bastante seguros que possibilitem distinguir com nitidez a vigília do sonho; a tal ponto que fico admirado, e minha admiração á tanta que quase me convence de que estou dormindo [...]. Qual a diferença, então, em interpretar "Em Busca do Tempo Perdido", de Proust, ou um sonho? Para os métodos da psicologia Junguiana nenhuma. Em Proust os psicólogos encontraram uma riqueza da autorrepresentaa do inconsciente e, um simbolismo a se perder de vista. Portanto, nessa perspectiva o sonho se apresenta como pura convenção, isto é, se estabelece que a comunicação fundada numa espécie de acordo ou contrato implícito, não-formulado, inconsciente mesmo, sobre o qual repousa o código. Assim parece ter pouca importância para o psicólogo se é um sonho de fato ou uma narrativa no tempo psicológico. De modo que, a autorrepresentação o inconsciente por si só não demonstra nem uma coisa nem outra. Esse é apenas um exemplo de que o psicologismo surge, assim como um engano teórico que pode comprometer a possibilidade do próprio conhecimento cientifico e, o naturalismo como um erro que deve ser combatido através da analise fenomenológica da estrutura imanente da consciência, enquanto irredutível a um fato natural e, mais do que isto, enquanto fonte do significado dos próprios fatos naturais. Contudo, nosso objeto de analise aqui é a estrutura da linguagem no sonho e como ela determina a cena no palco da nossa vida. Então, reforço aqui que o nosso questionamento não é sobre a interpretação dos sonhos como Freud ilustrou tão bem, mas, sobretudo na fragilidade de muitos em acreditar que se está diante de um sonho ou um conto, ou seja, narração falada ou escrita. A psicologia por si só é incapaz de conhecer se o segundo plano inconsciente da consciência – o que chamam de sonho -, se de fatos sonhos ou produto da imaginação consciente. O simples fato de alguém contar que teve um sonho (percepção, imaginação, especulação, volição, paixão, etc ), não nos dá certeza se estamos diante de um sonho. O próprio Freud encontrou certa dificuldade em acreditar que o que chegava para ele coletado por outros, permaneceram inúteis para seu propósito. Dizia em Observações Introdutórias, de seu "Über Träume und Traumdeutungen"; [...] por exemplo, precisei escolher entre meus próprio sonhos e de meus pacientes que estavam sob tratamento psicanalítico [...]. E, voltando sobre o tão venerado sonhador Henry dos psicólogos de Jung. Freud nos alerta em ainda porque nos esquecemos dos sonhos após o despertar. [...] Jessen escreve com especial ênfase sobre esse ponto: "alem disso, ao se investigar e interpretar sonhos coerentes e consistente, deve-se ter em mente uma circunstância particular que, ao que me parece, até agora recebeu pouca atenção. Nesses casos, a verdade é quase sempre ofuscada pelo fato de que, ao recordarmos tal tipo sonhos, quase sempre – não intencionalmente e sem notarmos esse fato – preenchemos as lacunas nas imagens oníricas. Raramente um sonho coerente foi de fato tão coerente quanto nos parece na memória. Mesmo o maior amante da verdade dificilmente consegue relatar um sonho digno de nota sem exagerar. É tão acentuada a tendência da mente humana a ver tudo de maneira concatenada que, na memória, ela preenche, sem querer, qualquer falta de coerência que possa haver em um sonho incoerente[...]. Jessen ainda ressalta que para certas dificuldades uma maneira de evitar qualquer erro nesse assunto é escrever, sem a menor demora, o que se acabou de vivenciar e perceber, uma vez que, o esquecimento será total ou parcial.

A investigação de Freud ( D ) Por que nos esquecemos dos Sonhos após o Despertar; parece não causar nenhum obstáculo ao sonhador Henry. Em três dos fenômenos psíquico, ou seja, sonhos em que relata juntos somam 63 parágrafos, o sonhador apresenta de maneira descritiva o conteúdo do seus sonhos, seguindo todas as regras ortográficas, isto é, seção de discurso que forma sentido completo, pontuação sinais gráficos que indicam, tanto na escrita como na linguagem oral, pausas. Mesmo no sonho mais curto que possui 16 parágrafos "O sonho do Oráculo", que o sonhador diz ter experimentado já contradiz, a tese do senhor Strümbll que acreditava que os sonhos quase nunca se apoderam de lembranças ordenadas da vida da vigia. Poderia então, o sonhador Henry, em cada pausa, ou seja, em cada parágrafo, despertar, anotar e, voltar a dormir recomeçando o sonho? O que é absurdo – ou absurdo não é obvio, como num sonho! De acordo com Delboeuf, não há critério válido para mostrar se algo é um sonho ou uma realidade consciente, exceto – e isso apenas em generalidade pratica – o fato de despertar. Era esse tipo de psicologismo que Husserl combatia. O psicologismo surge, assim como um engano teórico que pode comprometer a possibilidade do próprio conhecimento cientifico. E, toda vez que me aprofundava nas investigações cientifica dos sonhos, entrava indícios cabais da fragilidade do analista do sonhador Henry em O Homem e Seus Símbolos, e, está em principio aberta muitas duvidas. Na mossa analise, contudo, não podemos deixar de ponderar a duvida como recurso metodológico e lembrar das palavras de Montaigne que procurou demolir as superstições, os erros e o fanatismo das opiniões que pretendem impor-se a qualquer preço, mascarando de verdade, embora carentes de sustentação racional. "Depois de olhar em torno e de examinar comportamentos, costumes e ideias, conclui que só há opiniões nesse mundo incerto". Ainda, na Über Träume undeTraumdeutugen, Capitulo II "O método de Interpretação dos Sonhos"; analise de um sonho modelo, parágrafo oito, Freud diz [...] O sonho não é uma ação psíquica, mas, um processo somático que se dá a conhecer ao aparelho psíquico por meio de signos [...]. Se o sonho não faz parte de uma ação psíquica ele é então uma "coisa", isto é, fato exterior, imagens governado por relações causas mecânicas. Husserl procurou mostrar que o psíquico é fenômeno, não é "coisa". A definição do psique se aplica a explicação precisa de Husserl, isto é, conjunto de fenômenos da vida mental, e que inclui processos conscientes e"inconscientes". O sonho de Freud, sob o caso clinico de Irma tem quase vinte parágrafos. Freud o registrou logo ao acordar e, secundo ele o interpretou de forma coerente. Como já não é minha intenção aqui em fazer analise nem interpretação de sonhos, mas, investigar o que é sonho propriamente dito, sua narrativa no estado da vigília e, tentar assim, supor de antemão o que é sonho e o que não é. Podemos assegurar que sonho é uma funcionalidade de certos processos psíquicos, enquanto estamos entregue ao sono. Bem, logo, quando acordamos e tentamos registrar o que sonhamos, isso já não é mais sonho e, sim uma tentativa de descrever o que sonhamos. Desse momento em diante, o sonho, passa ser a "realização de um desejo". A análise que Lacan faz do sonho concebido por Freud; Fracasso no Tratamento de Irma, parece apontar para outro horizonte para além do sonho; Lacan só faltou dizer que o sonho de Freud teve uma interpretação tão artesanal que o sonho foi com um olho aberto e o outro fechado. Um desejo consciente ou pré-consciente? Quando se acorda o desejo é suprimido? Pode-se neutralizar ou preencher vai depender de cada um com a atividade como dizia Dewey: "atividade que procuro agir no sentido de romper o dique que a retém". Vejamos então, no estado da vigília até onde vai o desejo do sonho. No sonho se percebe que o desejo se apresenta mais bem filtrado as possibilidades manifestam-se mais apetitosas o que nos impele à ação, disposição do que é agradável. A impressão que temos logo ao despertar. No meu caso o sonho sempre ofereceu um material abundante e conviniente para um tipo de autoanálise, contudo, a situação seria mais favorável se não fosse o esquecimento, esse estado me parece imanentes, mais em alguns do que outros. Selecionei, assim, alguns dos meus próprios sonhos e, como já disse não é meu propósito utilizá-los para elucidar um método de interpretação – deixaria com muito gosto para Fred ou Lacan -, mas, sobretudo sua duração, isto é, o tempo desde as primeiras imagens, cenas até o epilogo. Poderia então, no sonho o tempo selecionar outra duração?

As próprias leis de atividade do tempo não poderiam sofrer distorções no sonho? Ou seguindo na contra-mão, onde toda realização criadora não tem uma explicação racional definitiva? Como podemos não considerar a conexão dos conceitos básicos da física ( como o espaço, o tempo, a matéria, a energia, o conteúdo ou campo, a partícula etc.) da essência física, fisiológica do ser humano e todo ser vivo? Vejo um horizonte muito promissor para os psicólogos e psicanalistas quando começarem a ver o arranjo sincronizado que inclui tanto a psique quanto a matéria. Bem, mas por hora, voltemos as nossas incertezas. O tempo no sonho parece se perder rapidamente – não totalmente, fica, resta, fragmentos igual a uma super-nova -, quando criança me lembro até hoje de um sonho que tive: "havia uma rua, um quateiurão com um talude de pedra que escorava casas todas enfileiradas; e, sob o talude mugia um touro negro, arqueirava o pescoço ameaçador, cornos grandes para diante e um potente aparelho locomotor. A rua as casas o talude existem até hoje, e todas as vezes que ali passo me lembro desse sonho. E " Busca do Tempo Perdido", onde Proust reuniu alguns escritos de sua juventude não seria isso então o tempo de uma consciência que se fragmentou, mas que ainda existe reminiscências que recompõe não apenas os fatos, mas sobretudo faz reviver sensações e sentimentos. A poucos dias umas cinco e tanto AM, fui ao banheiro e votei a deitar-me, dormi mais uma hora e meia aproximadamente, nesse intertempo, sonhei que estava sobre um andaime com duas escadas laterais ma de cada lado, sobre o qual havia varias pessoas, tentei, ao acordar, tentei relacionar aquele processo de conexão lógica que falta ao sonho, mas, em vão. Se lembra-se pelo menos da metade do sonho poderia bem preencher de quize3 a vinte linhas ou parágrafos. Bem, mas, não vamos perder de vista o ponto em que me propus a tratar: o que é sonho no período do sono e no período da vigília? Como a palavra sonho não apresenta nenhuma existência de polissemia, e, como não sendo uma propriedade lingüística, tal vocabulário tem seus laços associativos aos termos cientifico e técnico; portanto, somniu (sonho) nos trás a noção de valor lingüístico quando a sequência do fenômeno psíquico ( imagens, atos, ideias etc ), ou seja, estamos diante do psicólogo, psicanalista tudo que consideram involuntariamente ocorrer durante o sono. Por outro lado, sonho tem um sentido vago, isto é, tem o sentido ativo ou factível de acordo com as frases , e que esse sentido varia numa área continua , de acordo com a natureza do sujeito da oração. Por exemplo: fantasia, ilusão, desejo, como afirma Freud, "o sentido de desprazer que assim se repete nos sonhos não nega a existência de um desejo", mesmo se usarmos a palavra sonho como um bolinho leve, frito, feito com farinha, leite e ovos, ainda assim, estaríamos apenas experimentando o empréstimo especializado de um termo monossêmico do vocabulário da psique: seu símbolo So pode substituir sempre, pode apresentar-se sob um dos estados de vida mental. Sonhar com um premiu acumulado da loteria, sonhar com uma vida melhor, com uma bela garota que você viu pela manhã etc. De uma forma ou outra o sonho parece seguir sempre um desejo estejamos com os olhos abertos ou fechados. O que interessa para o psicanalista ou psicólogo é o sono onírico o conteúdo para sua representação, para nos aqui o que interessa è a pratica de um bom raciocínio sobre questões fáceis e simples; teria então, psicólogos ou psicanalistas a mesma habilidade que tem para interpretar sonhos e para interpretar se uma narrativa construída com todo o elemento espiritual suficiente do sonhador é de fato um sonho ou uma forma literária na qual se expõe uma série de fatos imaginários? Como já disse, a autorrepresentação do inconsciente não demonstra nem uma coisa nem outra. Talvez Freud possa nos fornecer algum material até o final de seu Über Träume und Traumdeutungen.

Se os estímulos corporais fossem de fato mais acessíveis durante o sono do que na vigília como explicar então as narrativas no tempo psicológico? Duvidas, pressuposições, suposições é o que não faltam na tória dos sonhos. A pergunta que permanece é como ter certeza que a pessoa que nos forneceu o material inconsciente que permanecem no conteúdo do sonho é de fato um sonho? Já existe alguns estudos no Japão onde especialistas criaram um dispositivo sofisticado, conectado ao cérebro humano por meio de um sensor E E G ( eletroencefalografia ), captura e mapeia a atividade cerebral do sono R E M. Por meio de algoritmos da inteligência artificial, esses sinais cerebrais são codificados e transformados em imagens, ou seja, representações visual do mundo onírico do individuo. Contudo, por hora, esses avanços da ciência centralizam-se na noção de unidade, isto é, um conjunto de conexões experimentais onde o ( método ) capazes de apreende-los se dará na unidade de tempo, respostas mais seguras.

Segundo Freud, a relação de nossos sonhos típicos com os contos de fadas e outros matérias poéticos não é esporádica nem acidental e, como dizia Descartes "o que ocorre no sono muito embora, não nos pareça tão claro nem tão distinto, não raro nos engane, quando dormimos, por semelhante ilusões ao ponto de não distinguir nitidamente cada um dos espaços em que se divide a ( craveira ), a vigília do sono". O que isso implica e nos faz pensar é que a condensação de informações inconsciente, que Freud entendia por produção onírica, ou seja, imagens através dos sonhos se apresenta real também na vigília. O conteúdo não raro, nos apresenta uma analogia, considerada em si mesma, como um aspecto de fenômeno de interpretação, uma manifestação de atividade psíquica que relacionam, distingue as unidades para utilizá-las em seguida. Por exemplo, sonhei uma noite dessas que "caminhava em uma alto-estrada, andava rápido e, num determinado ponto, já bem longe de onde havia partido, levei a mão ao bolso da calça e, não encontrei a carteira; senti um calafrio, aflito, pensei, devo voltar!" No outro dia bela manhã, fui a padaria, ao sair como de costume, levei a carteira até o bolso detrás da calça e, a carteira caiu sem que eu percebesse, fui saindo, quando a moça da padaria disse: "Ei, a carteira caiu", levei a mão ao bolso, voltando-se meio sem graça; "Ah, obrigado", disse, abaixando para pegar a carteira. Naquele instante o que me veio a mente, foi o sonho que tivera a noite, a junção do que acabara de acontecer, as palavras Ei, a carteira caiu, o sonho sob coação, sob relação, ou seja, realizações verbais como a memória do sonho. A expressão do pensamento do sonho se apresenta aqui com um vinculo necessário entre o antecedente e o conseqüente em quase todos os sonhos do "criador de sonhos Henry", amplamente escrita pelo seu editor e analista em Símbolos Em Uma Analise Individual, concepção organizada por Carl G. Jung em O Homem e seus Símbolos; essa sub relação é inconsciente ou consciência com intencionalidade? Mesmo que para o analista se apresente como sonhos extraordinários, baseados em temas irracionais onde o sonhador Henry, hábil em entender como a mente organiza e interpreta o mundo através das palavras, forma uma massa dessas estruturas compostas. A introdução que daria para o sonhador Henry é: 1º A vida de um individuo não lhe desperta nenhum interesse enquanto é puramente individual. 2º Só passa a interessar enquanto emerge de um ponto do qual recebe uma coloração diferente e própria. Para todo esse nosso questionamento se chega num ponto ao que é essencial ou mais interessa, a importância dos sonhos diurnos. Na ( H ) Elaboração Secundária, segundo Freud; chegamos no ponto para prosseguir nossa analise. A intencionalidade consciente e inconsciente nos coloca numa linha principal que divide o fenômeno em partes aproximadamente simétricas. É interessante inserirmos essa nota uma vez que Freud, em Traumdeutungen, raramente usa a expressão fenômeno, talvez a razão de eximir-se desse substantivo possa ser em manter a discrição direta de suas ideias, uma vez que a fenomenologia expandia-se e influenciava pensadores na Europa de sua época. O que é concernente aqui para nos é que "consciente e inconsciente", mantenha-se, portanto, como a expressão de fenômeno, isto é, o que se revela o que se mostra em si mesmo, seja no sonho ou na vigia, o que constitui, pois, a totalidade do que está a luz ou se pode pôr a luz. De modo que, a interpretação dos sonhos, tão essencial para o progresso do conhecimento cientifico, deve sua importância ao fenômeno que estão constituídos na interpretação como: aparecer, parecer e aparência (Scheinen) a esse modo de mostrar-se. A intencionalidade, a peça que articula as partes do mecanismo e descreve um mecanismo circular; sonho diurno e o sonho noturno.

S S

D N

Podemos chamar esse circulo o que Freud entendia por instância psíquica, isto é, os componentes da mente que interagem e influenciam o comportamento humano tanto no processo diurno ou no noturno. Segundo Freud, a elaboração secundária torna a natureza onírica mais próxima do pensamento da vigília. Fantasias conscientes seguem os mesmo produtos de nosso pensamento durante a noite, isto é, a designação de sonhos. A função psíquica na formação do sonho, além de suas criações originais oferece material rico que se encontra no conteúdo do sonho. [...] O que distingue e, ao mesmo tempo, revela essa parte do trabalho do sonho é sua "tendência". Essa função se comporta de maneira que o poeta malicioso somente atribui aos filósofos: preenche as lacunas da estrutura do sonho com trapos e remendos [...]. Essa tendência que Freud nos fala é por assim dizer regidas por uma lei geral que não se pode, contudo, formular com precisão, isto é, as mudanças apresentam uma certa orientação comum o que possibilita na pratica é que, o material do sonho pode ser rico para a composição de um poema, conto até um romance no tempo psicológico. Se para Freud a literatura é apenas um tipo de sonho não nos afasta a ideia que vigília e sonho estão intrinsicamente ligados na vivencia, ( Erlebnis ). i.e., atos psíquicos caracterizados pela intencionalidade. Se a vida de um individuo não lhe desperta nenhum interesse enquanto é puramente individual como a que destacamos no sonhador Henry, ele muito bem pode exemplificar a ideia de uma estrutura psicótica, aquele mecanismo que Lacan chamou de "suplência". Assim o analista d Henry experimentou sem perceber que o jogo havia se invertido, agora, Henry com seus textos (sonhos), se fez um produtor de "sintomas" no leitor, (analista). "A elaboração Secundaria", faz assim, a natureza onírica mais próxima do pensamento da vigília. E, logo, torna a criação do sonho diurno uma espécie de segmentação na trama dos pensamentos oníricos, isto é, indissociáveis da operação de identificação das unidades discretas. Usamos o termo discrição para dar uma maior perspectiva na analise do discurso, i.e. , o sonho. Unidades discretas, nos permite distinguir o sonho que fora submetido a uma elaboração da função psíquica do pensamento da vigília, ou seja, uma espécie da elaboração secundaria daquela que ocorre no sonho noturno. Freud chamava essas unidades discretas de tendências; essas funções são encontradas em Joyce, Proust e outros, os componentes da mente estão tão próximos da função criadora que há uma necessidade cuidadosa em separar o que é uma função criadora e do sonho propriamente dito. Assim, o analista para elucidar tal questão deve distinguir diversos conceitos de conteúdo que costumam vir emaranhados uns aos outros. Os atos psíquicos caracterizados pela intencionalidade diferem de um individuo para outro, cabe, portanto, a o analista entender que não existe método, mas, métodos a tão desconhecida classe de vivencias. Para concluir, então, nossa analise , percebe-se o quão difícil seja para um analista avaliar de fato se está diante de uma fonte de desejos que surgem durante a noite (sonhos), ou a vontade considerada em si mesma (inconsciente ou uma espécie de sintoma). O analista do sonhador Henry parece pouco se importar se é uma coisa ou outra, desde que, haja brilho na narrativa e venha adornada por símbolo, tudo, transforma-se em sonhos. Parece que a chave para elucidarmos essa questão seria saber de onde se originam os desejos que se realizam nos sonhos. Freud, acha, eu penso, que entre a vida cotidiana consciente e a atividade psíquica que permanece inconsciente exista um elo inseparável. Freud diz: "parece que todos os desejos têm o mesmo valor e força para a formação do sonho". Desse modo, quem não garante que toda a arte de Joyce, Proust é então o que pode existir entre uma unidade dada e uma ou mais unidades latentes não manifestas; os laços associativos como índice está numa relação de contigüidade com a realidade exterior. Até Aristóteles – como aparece no capitulo I de Über Träume und Traumdeutungen no diz; [...] que os sonhos podem facilmente trair ao medico os primeiros indícios de uma mudança incipiente no corpo que passa despercebida durante o dia [...]. Desse modo, percebe-se, que a vida desperta está intrinsicamente ligada ao sonho, logo, um não existiria sem o outro. Freud reforça nossa tese quando afirma que: o desejo consciente é um incitador de sonhos apenas se conseguir despertar um desejo inconsciente.Aqui temos outro exemplo, a nota 142 em ( C ) Realização de Desejos; não para finalizar nossa analise, as, sobretudo, mostrar a direção para investigações futuras: " Eles compartilham esse caráter de indestrutibilidade com todos atos psíquicos que são realmente inconscientes, isto é, com atos psíquicos pertencentes apenas ao sistema inconsciente. Esses caminhos estão constantemente abertos e nunca caem em desuso; eles conduzem a descarga do processo excitante com a mesma freqüência que se ele se trona dotado de excitação inconsciente. Para falar metaforicamente, eles sofrem a mesma forma de aniquilação que as sombras da região inferior da Odisseia, que despertaram para uma nova vida no momento que beberam sangue. Os processos que dependem do sistema pré-consciente são destrutíveis de uma maneira diferente. A psicoterapia das neuroses se baseia nessa diferença". Fica claro como a luz do dia que as narrativas no tempo psicológico tem todo seu material mediante o pensamento diurno, onde o "capitalista" como dizia Freud, fornece o desembolso psíquico para o sonho, e, a moeda forte ou seja, o desejo inconsciente se materializa. O desejo do escritor ficcionista sua trama parece seguir os mesmo estímulos sensoriais externos manifestos no sono, ou seja, ingredientes indispensável para os sonhos. Ilusão, fantasia, devaneios, todo pensamento deixado pela atividade da vigília. Freud mesmo dizia que não via nenhuma objeção para constatar tese de que os sonhos interpretam os estímulos sensoriais objetivos tal como o fazem as ilusões. Assim, a interpretação narrativa segue com todo conteúdo necessário, disponibilizando a realidade do desejo. Isto posto, pode se perceber que a "forma interna" ou estrutura, seja no seu conteúdo da ficção ou na experiência ou psicológico; se organiza – como Freud chamou em seu Über Träume und Traumdeutubgen – ( E ) Os Processos Primários e Secundários. Podemos conceituar, assim, que é no processo primário onde a forma que o inconsciente opera, esta a nascente do desejo e a atividade criadora. Já no processo secundário esta a formula ( consciente e pré-consciente ), funcionando como estrutura necessária no conteúdo da narrativa. Quando Espinosa nos diz que o "tempo é um modo de pensar", seja ele unidimensional ou tridimensional, o horizonte nos aparece mais claro em nosso caminho; modo de pensar na vigília; modo de pensar no tempo psicológico, experiência, introspectivo etc; dessa forma o conceito de tempo fundamenta-se com a questão do sonho; o aspecto inconsciente de ocorrências psíquicas conscientes, ou seja, toda vivencia efetiva necessária como algo que dura seja como possibilidade ou projeção, isto é, a possibilidade de varias ordens de pensar. No caso em analise "o sonhador Henry", percebemos tipos interpretativos do tempo em seus sonhos, expressos por temas como projeto ou projeção, antecipação, expectativas etc. Mostram-se úteis em teoria literária e, passam a fazer parte do uso temporal em seus "sonhos". O sonhador Henry parece ter uma noção explicita de tempo em seus sonhos; no primeiro sonho em O Homem e Seus Símbolos, ele relata: [...] Andamos apenas durante uma hora porque deveríamos acampar e organizar uma representação teatral [...]. Percebe como o sonhador Henry tem o dom de mensurar o tempo em suas narrativas de sonho. Isso me parece um indicio propenso que ele não sonhou, mas, narrou algum fragmento de sonho, isto é, uma integração que é um aspecto de função auditiva, que estabelece a ligação entre as vibrações recebidas pela cócle ( forma modelada coclear ) e a linguagem. No qual apresenta duas atividades: a primeira , neurofisiológica, diz respeito às vias auditivas e centros nervosos ( pode ser estudada pela eletrofisiologia ); a secunda – a que mais se contextualiza ao caso – é a psicofisiológica, repousa em circuitos memórias e apela a faculdades psicológicas. O que consideramos aqui não é mensurarmos a duração do sonho propriamente dito, mas, estamos nos referindo ao nível da personagem, não ao nível da narrativa, isto é, se a elaboração secundaria, seria de fato capaz de "medir" o tempo do sonho? Freud mesmo diz na nota 126 de seu Über Träume und Traumdeutungen, que um "inferência no sonho representa uma inferência, uma inferência nos pensamentos do sonho, não é uma tarefa fácil, isto é, escrever as condições gerais na atividade onírica, é uma coisa, agora, levar as considerações e seus desempenhos, mais refinados e cuidadosos é outra coisa". Portanto, tentar descodificar uma cena no sonho efetuando-se no nível de tempo é algo que mesmo a condensação, que é o mecanismo que torna o sonho mais coerente e compreensível, pode ser entendida apenas como convenção, isto é, quando se estabelece que a comunicação é fundada numa espécie de acordo ou de contrato implícito, não formulado, inconsciente mesmo, sobre o qual repousa o código >. A proposição o sonho é a conservação de tudo o conteúdo que conhecemos", que está no começo da nossa analise, vem corroborar com o ultimo parágrafo do Über Träume und Traumdeutungen de Freud; [...] E o valor do sonho para o conhecimento do futuro? Isso, é claro não podemos considerar. Sente-se inclinado a substituir: "por conhecimento do passado". [...] Diante de tudo então, a sensação que tenho é que caminho por cerrado fechado de espinhos, de repente, você encontra um caminho que tão bem o mestre direcionou. A psicologia descritiva e seus discípulos como Freud, nos conduz como pela mão ou de retornar as coisas mesmas. Tudo que sabemos do mundo, mesmo por ciência ou sonhos, sabemos a partir de uma visão de mundo sem a qual os símbolos da ciência não poderia dizer nada e, como disse Maurice Merleau-Ponty em sua "Phénoménologie De La Perception"; [...] Todo o universo da ciência é construído sobre o mundo vivido, e se queremos pensar a própria ciência com rigor, apreciar exatamente seu sentido e seu alcance, precisamos primeiramente despertar essa experiência do mundo da qual ela é expressão secunda [...]. Portanto, a autorepresentação preexistente, isto é, a descrição do vivido o fluxo que nos chega nos atinge como as ondas gravitacionais. E, o que elas fazem é muito semelhante a física; no sonho esticam e comprimem o espaço tempo ( estimulação somáticas ), o sonho tem essa condição de "esticar e comprimir" tudo que encontra em seu caminho, a operação dinâmica do aparelho psíquico que se manifesta em diferentes níveis da consciência e são regidos por princípios distintos.

Desse modo, toda psique do sonhador Henry, seja ela narrativa psicológica ou sonho foi moldado na arte de retornar as coisas mesmas, tudo exatamente construído sobre um mundo vivido; minha experiência não provem de meus antecedentes de meu ambiente físico e social, ela caminha em direção a eles, e os sustenta, pois sou eu que faz ser para mim.

ESCRITO POR Josemar luis Camargo 3 K leituras
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