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Fenômeno Antitemporal da Religião

Entendo por religião a representação e sentimento do eu em seu estado imediato fazendo que o concretismo, isto é, a consciência de si imagine um mundo infinitamente múltiplo.

Fenômeno Antitemporal da Religião

Entendo por religião a representação e sentimento do eu em seu estado imediato fazendo que o concretismo, isto é, a consciência de si imagine um mundo infinitamente múltiplo. Logo, todo conjunto de termos estreitamente correlacionados entre si no interior do sistema de uma língua.

A delimitação da linguagem é uma possibilidade para seguirmos com o conceito antetemporal da religião, uma vez que na "totalidade das proposições" encontramos a representação pictórica do mundo. De modo que tanto a religião como a crença são fatores cognitivos da natureza humana, portanto, quando representamos uma ideia mesmo sendo transformada pelo tempo nunca perde sua essência, ou seja, ela se transforma mais não perde o movimento, ai, a razão de falarmos de fenômeno antetemporal. É de fato o universo simbólico o que constitui esses fenômenos e, que essa relação simbólica tenha a religião em si se caracterizado antes da religião própria mente dita, ou seja, a religião necessariamente começa bem antes que a horda judaica habitasse os desertos de Horeb e do Sinai, e bem antes do Concilio de Nicéia, evidências da antiguidade nos demonstram que a crença a teologia já regulavam a ordem da vida social ainda antes das primeiras sociedades alfabetizadas. O consciente do homem primitivo ao tomar quase acabada a definição da fala[1] volta-se, sobretudo para o céu buscando nos fenômenos naturais como o sol à lua a escuridão da noite onde as constelações afetam-lhe fortemente a imaginação, de onde se segue que, possuir uma ideia de um Deus foi um acontecimento tão natural como às águas de um rio que seguem seu curso. A situação do homem no mundo constitui tudo o que é formação humana e ao interagir com as causas naturais sua profunda intuição constrói relações do simbólico, imaginário e do real; buscando compreender o misterioso mundo que o norteia o homem desenvolve então sistemas para estudar as causas naturais, construíram a cosmologia para explicar o universo e ao fazerem isso edificara deuses que controlavam seus destinos, assim, o eu no seu aspecto mais essencial tem uma função imaginaria que forma a estrutura fundamental da religião ou crença.

Nesse presente ensaio demonstraremos como a consciência psíquica interage com o mundo exterior e do que nos propusemos a tratar explicitamente dos deveres como mandamentos divinos. Com efeito, a adesão aos efeitos possíveis é algo imanente á natureza humana de modo que a pré-disposição e convicções são necessárias a nossa existência; de fato se há uma reação de ação e reação do organismo com o mundo, logo, percepções, ideias, sentimentos, volições etc, são construídos são intratemporais. Entendo por necessário visto ser a consciência dinâmica e o dinamismo é um dos atributos para uma fisiologia saudável. Penso que os homens diferem em natureza quanto às volições, convicções, ideias, enfim, formas de pensar, mas, quando se trata de subjetividade cósmica
[1]A função adquirida da fala nos dá uma ideia de cultura, ou seja, experiência, ideias, emoções que pressupõe uma comutação social. Nesse plano de expressão ainda não pensamos na linguagem nem na escritura
que segue uma concatenação com a fala, logo, o elemento da linguagem vem a constituir ao da fala fazendo assim a crença e do sobrenatural uma redundância na sociedade. Só a partir daí então que podemos inferir em toda espécie de subjetividade, de modo que, à comunicação ou significação são meios necessários. (N.D.A).

Como dizia Lacan, só mudamos de endereço, tudo o que se produz no espaço imaginário, reflete a cultura de uma sociedade. A consciência e o mundo exterior é um movimento que se assemelha a uma caixa de transmissão onde o eixo motriz gira acoplado as engrenagens fazendo forças emanarem para fora, ou seja, as manifestações de nossos atos; o eixo é tudo que constitui a consciência , isto é, representações , emoções , imagens o ato transcendente; as engrenagens os fenômenos psíquicos como os termos bem e o mal. As manifestações dos nossos atos seguem um processo de sincronia, isto é, intratemporal , meus sentimentos no quê eu creio no que eu não creio o que aquele sujeito crê o que ele não crê; já o ato que transcende é imanente no eu psíquico e é portanto, antitemporal. Essa estrutura fundamental se expande e evolui segue uma diacronia e nunca perde sua teurgia sua determinidade, assim, o que se deve ter em consciência é que religião não nasce com o cristianismo é um fenômeno que aparece com referencias às relações inter-humanas nas quais se insere como sistema de crenças e de instituições e utilidades biológica e social é evidenciada através dos tempos, de modo que não há mesmo nenhum abismo entre mentalidade primitiva e mentalidade civilizada, o que há de fato são predisposições naturais onde o cultivo da vontade de cada um procura satisfazer todas as exigências que pareça um dever. Onde a consciência o universo simbólico estabelece embrionários de hipercodificação ou de hipocodificação; ambos os fenômenos funcionam da seguinte forma, a hipercodificação procede dos códigos existentes a subcodicos mais analíticos (o sol a lua, o leão, a cobra, o chacal etc), já a hipocodificação procede de códigos inexistentes (ou ignorados) a códigos potenciais e genéricos,(a mascara tríplice da morte do império asteca; o homem verde celta; a árvore da vida assíria, etc); a abdução nos dá uma ideia de como esses fenômenos ocorrem desde os tempos mais remotos. Uma estrutura deveras complexa, onde há vários conectivos que seguem uma regra geral dentro de uma inferência sintética, ou seja, um conjunto de coisas ou ideias consideradas como dependentes de um principio único, isto é, crer. As convicções religiosas são portanto, intersubjetivas e, seguem uma diversidade de formas. A consciência psíquica ao interagir com o mundo exterior nos evidencia uma existência "intencional" dos fenômenos, ou seja, o ser-efetivamente do objeto percebido, ou que, respectivamente não nos dá nenhuma realidade metafísica, isto é, o conjunto de conhecimento obtido graças e exclusivamente à razão pura. A subjetividade encontra um apoio poderosíssimo na função simbólica. Com efeito, os fenômenos naturais colocaram a questão da juntura do imaginário e do simbólico em uma forma autônoma de pensamento. Nesse sentido, o sol, a lua, estrelas, e constelações como trovões, terremotos e toda dimensão espacial eram símbolos arbitrariamente relacionados com seu objeto; o estudo etnográfico "Argonautas do Pacifico Ocidental" de Malinowski, nos dá um exemplo de intersecção entre fenômeno psíquico e fenômenos naturais; Capitulo IX seção IV. [...] A escuridão, o rugir das ondas que se quebram no recife, o ciciar seco das folhas de pandano ao vento – tudo produz um estado mental em que é fácil acreditar na existência de bruxas perigosas e de todos os seres que costumam manter-se escondidos, mas sempre prontos a aparecer nalgum momento especial de horror. A mudança no tom da conversa é perceptível quando levamos os nativos a falar sobre tais coisas em tais ocasiões e é bem diferente do tom calmo e em geral racionalista com que esses temas são abordados a luz do dia, na tenda do etnográfico [...]. Perceba agora, a relação associativa aos fenômenos naturais; Capitulo X seção I. [...] Ao sair em demanda do local de um acidente yoyova abandona seu próprio corpo. Sobe, então, numa árvore e, recitando uma formula mágica, amarra nela um cipó. A seguir, a yoyova alça vôo, ao longo do cipó, que estava por trás dela. E nesse momento que vemos o fogo a voar pelo céu. Toda vez que os nativos vêem uma estrela cadente, eles sabem que é uma mulukwausi, ou seja, a bruxa em estado voador, em pleno vôo [...]. A percepção empírica no mundo do simbolismo só muda no modo de manifestar-se o expressar nas exigências de cada cultura, ou seja, talismãs, amuletos, figuras, pictografias etc; essa percepção que a consciência tem do mundo exterior é portanto, intemporal. Percebe-se onde a intemporalidade se dá, é algo mais simples, já a antetemporalidade parte do ponto de vista subjetivo alcançando assim, a categoria de relação, isto é, inerência e subsistência de um espaço e tempo. Onde a percepção do sujeito cognoscente é um projetar-se na totalidade das intuições. A essência que não se perde em que falamos no começo são simples representações de formas sensíveis de nossa intuição, nossa própria existência ,ou seja, a delimitação factual do exercício do existir que sempre se propagam numa pluralidade de singularidades, situações, épocas, condições, ordens, etc. O conceito de reflexão nos dá uma ideia desses dois fenômenos. Com efeito, para além das considerações de garantia sobrenatural de salvação a religião é referencia às relações inter-humanas nas quais se insere como sistema de crenças e de instituições é fácil de evidenciar a sua utilidade biológica e social de modo que, o panteísmo mais o teísm[2]o dão as dinvidades hinduístas um deísmo que mais se aproxima por analogia à natureza de Deus. Então, nessa pluralidade de singularidade um fenômeno de assaz importância que constituí a intemporalidade, a linguagem, esse instrumento de comunicação que faz o mundo do simbolismo ser dinâmico. Penso que o razão de haverem muitos grifos e símbolos nas civilizações mais remotas era devido ainda à falta da escrita própria mente dita, ou seja, a psique procurava algo para dar forma ao pensamento, o contextual psíquico tornava-se um fluxo no tempo estruturando-se ao substancial dando fundo ao primeiro plano constante da escrita, daí para frente foi como disse Dewey, "uma serie de jorros de luz de várias intensidades". A diversidade indica o caminho para conhecermos o mundo dos símbolos na religião, e, a intemporalidade nos denota que religião e magia se deram nos mais diversos espaços físicos dos continentes. É notório de pensarmos que a ordem simbólica com o surgimento da escrita teve um efeito determinante na psique das sociedades, o símbolo que é a notação de uma relação evolui para uma representação figurativa do significado a um código formado de signos abstratos, símbolos de sons da língua; nesta ordem indo para uma abstração sempre maior, até atingir verdadeiros códigos de comunicação, assim, passávamos dos pictogramas dos ideogramas, a hieróglifos, a pictoideografia, fazendo dessa ultimas os alicerces de associações emocionais que constitui toda crença moderna. Crenças sobre a criação, vida, morte e ideias como o mundo deve ser sustentado tornaram-se cânones das civilizações de modo que, ao conhecermos à totalidade das religiões percebemos suas condições, a unidade de cada uma sua relação intrínseca com o homem seu assentimento do ponto de vista subjetivo, ou seja, sua síntese; o ser ai² se relacionando consigo mesmo e com os outros no espaço da mundanidade, isto é, a totalidade incondicionada. Nas civilizações mais antigas já encontramos na consciência do homem as mais diversas representações, concepções, imagens das coisas, hábitos mentais que vão da língua falada até experiências, percepções, associações, sentimentos, memória e orientação do mundo, disposição essa que se aplica

[2]A representação que temos do antitemporal faz superarmos o imobilismo de sua localização estática a que o "ser ai" ou "estar ai" sugere. O "pré", e o "anti", remete ao movimento, constitui uma dinâmica de ser, uma intuição sensível necessária e universal projetada pelo sujeito hu-mano consciente e cognoscente, é nessa dinâmica de continua estruturação em que se troca estados as passagens e os lugares que conhecemos a riqueza das relações intersubjetivas, através de uma identificação privilegiada, o homem. (N.D.A.)

Obviamente a todos as particularizações da relação do homem moderno. No preenchimento de juízos de atos enquanto objetos encontram a asserção nas religiões mais remotas das pirâmides egípcias de Gizé ao altar de zigurate na Mesopotâmia. A conexão entre paraíso e terra já formavam conceitos de percepção e de afiguração. Ao olharmos para o nosso planeta, e a onde quer que os símbolos possuam um poder além das palavras e, mais ainda, os símbolos nos desafiam a ir além do que esta diante de nossos olhos, além do óbvio; o universo é imenso tanto no espaço como no tempo, eis dois símbolos de uma dinâmica que vai além do alcance de nossos instrumentos mais potentes, com muita propriedade o dizer do Sr.Bergson; "a função essencial do universo, é uma maquina destinada a criar divindades". Penso algo análogo que poderia ocorrer relativamente nos 100 bilhões de galáxias, cada uma contendo pelo menos 100 bilhões de estrelas em média e, provavelmente um número similar de planetas, mesmo, sendo as probabilidades de vida inteligente uma realização rara, o processo de representações como causa dos objetos dessas representações em formas de vida fisiologicamente inteligente seriam as mesmas. Pois bem, pensemos num ser alienígena com uma inclinação livre dos sentidos e, a possibilidade desse ser possuir o assentimento que é suficiente somente do ponto de vista subjetivo é uma possibilidade muito significativa. No que tange a origem e a natureza do mundo enquanto realidade á nosso próprio exemplo que civilizações antigas como a egípcia, a suméria, assíria e babilônia, muito embora tivessem existido no mesmo planeta, no mesmo continente e, cada uma delas tendo suas particularidades como pré- religião, magia, símbolos, edificações, linguagem escrita e todos os hábitos de ação particularmente os mesmo, poderiam ter existido em qualquer planeta de uma estrela distante ou de uma galáxia remota que a regra de ação ou faculdades psíquicas seriam as mesmas, uma vez que a apresentação de um objeto para a consciência é intratemporal, isto é, ela se dá em qualquer lugar que a projeção intuitiva da consciência possa estar. E, mesmo ao se presumir formas de vida inteligente fora de nosso planeta, não devemos descartar as possibilidades de existir civilizações onde a coexistência não seja um simples contato físico ou um embate de forças, mas, possibilidades de relações como "comunicação existencial", seja de forma concreta (como símbolos qualquer espécie de linguagem ou mesmo formas de telegnose. Observa-se, dessa forma que o fenômeno antetemporal tem uma validade intersubjetiva não tão só ao que se refere às relações entre os vários sujeitos humanos, mas, toda e acabada forma de vida inteligente. Contudo, é importante considerarmos que essas possibilidades são características das leis físicas do nosso universo, ou seja, num universo propicio à vida. E, é dentro desse universo que voltamos ao nosso conceito intratemporal; assim, no que a crença produz como realização em quaisquer que seja às relações inter-humanas a existência intencional é uma função referencial para decodificarmos o contextual psíquico; som, sentido, elementos, símbolos, ou seja, um conjunto de sensações ou "noese", isto é, o aspecto subjetivo da vivencia. Ao estudarmos paralelamente duas ou mais civilização antiga percebe-se que cada uma delas considerava os objetos reais de forma distinta, no que tange o caráter de adesão à crença, ou seja, não havia inflexão exterior para compreender o misterioso mundo no qual viviam. A estas civilizações eu às chamo de N.P.D.R.S.(núcleo primário de relações sociais). Percebe-se assim, que o eu como inter-relação nasce em face da experiência, elaborando ideias para conhecer tudo que é aplicável estritamente aos limites da experiência no conjunto dos modos de vida criado.

As características dos signos utilizados pela crença na sua busca por um mundo espiritual diferem apenas na forma, ou seja, uma espécie de coisa sensível, já o conteúdo ou face abstrata o seu aspecto conceitual como a composição são modos de conceber que se apresentam segundo um aspecto particular e por principio variável como unidades de rituais, orações etc; na forma aparece uma variabilidade indefinida das "perspectivas", isto é, o fenômeno como sendo um modo subjetivo é reportado a um "ponto de vista" parcial mutável. O javali por exemplo na Escandinávia era tido como um símbolo de guerra, realeza e proteção contra ferimentos ou derrotas e, equivalente de sinal relacionado à colheita de cereais e, até como índice ligado á magia e ao mundo inferior. O plano sobrenatural que herdamos dos hebraicos, muçulmanos e egípcios a necessidade de um escolhido (ungido) como canal de comunicação entre Deus ou deuses o homem ainda [3]mantém o sujeito sob os poderes hipostasiados que alimentam a ilusão objetivista bloqueando, assim, a livre comunicação entre os homens. Sem uma prévia critica a teologia moral segue com seus fundamentos causando em efeito de decomposição na ética; o elemento formador para se ter uma paraskheué, o intructio necessária fica desta maneira cada vez mais longe de ser alcançado. As associações emocionais que constituem a crença se encontram hoje com as mesmas bases ao longo dos milênios uma diacronia que tem como representação necessária (Zeit), os fenômenos naturais com sinal que indica todo o descontentamento de um ser supra-sensível que governa os homens como estes fossem marionetes. O conceito de consciência psíquica interagindo com o mundo exterior apresenta os fenômenos antetemporal e o intratemporal como constituintes de todos os atos do culto divino. Vejam no conceito de Scheiermacher como se identifica claramente o antetempoal movendo o intratempoal; "o universo é uma atividade ininterrupta que se nos revela a todo momento (o antetempoal) todas as formas que ele produz, todo os seres ao quais dá, pela plenitude da sua vida, uma existência particular, todos os conhecimentos que ele gera em seu seio sempre rico e fecundo, corresponde a uma ação que ele exerce sobre nós; assim, em aceitar cada coisa particular como parte do todo, cada coisa finita como expressão do infinito, consiste a religião". (a intratemporalidade).

A adesão que o homem tem a essas associações emocionais é que o antetemporal trás na ordem temporal dos acontecimentos. P.ex.; nas varias denominações e igrejas que existem hoje em quase toda esquina, no caso dos entes que são valores, os conceitos ontológicos principais que as descrevem essencialmente são 'qualidade'(um valor pode ser afirmativo ou negativo) e a polaridade ou oposição (os valores sempre se apresentam com pares de opostos); aqui pode lá não, aqui é certo lá não, etc, etc; percebe-se que à permanência da categoria de relação sobre as matérias fundamentais da fé são, portanto, as mesmas, ou seja, na busca do antetemporal nada se perde da idealidade, isto é, a existência de fato no passado. Com efeito, é sobretudo, no discurso que o antetemporal nos dá a ótica das associações emocionais; considerado do ponto de vista das regras de encadeamento das seqüências de frases, passando ainda por todo um processo de semiose, tal influencia tri-relacionada, ou seja, o signo, seu objeto e seu interpretante mais a emitente retórica deliberativa. Em Padre Antonio Vieira encontramos um campo rico para o estudo de como a síntese do antetemporal se constitui aos três componentes essenciais do discurso; a inventio (temas e argumentos), a dispositio (arranjos das partes) e, sobretudo, a elocutio

[3]Penso que os fins morais humanos são muito mais do que fundamentos da imaginação, a decomposição ocorre quando a doutrina teológica ocupa-se de impor preceitos que vão além de um cuidar de si onde a alma flexível essência, mais dúctil que todos os fluidos, entendo que o conhecimento mais necessário é aquele que consiste em não nos ser imposto. Portanto, podemos dizer que a autodeterminação do eu consiste na resolução do que nos são impostos, isto é, um obstáculo á liberdade de acordo com leis universais, que, por outro lado o ser do homem tal como ele é, ou seja, nada de deveres, coerção e muito menos imposições de exigências. Assim, a única ética que não permite decomposição é a máxima agir justamente.

(escolha e disposição das palavras); acrescenta-se, seguidamente, a pronuntiatio (ou modo de enunciação), e a memória (ou memorização); hoje encontramos essa habilidade – embora em menor grau – em falar contra todos e sobre assunto conveniente, de tal modo que, para a maioria das pessoas consegue ser mais persuasivo que qualquer outro com respeito ao que quiser; p.ex., bispos, pastores, padres, políticos e toda espécie de pregador, nos dão o sinal manifesto do declínio da retórica; essa interpretação mediana que se articula na fala e se pronuncia na linguagem não dispersa o fenômeno antetemporal da religião, de modo que, falar ou interpretar textos que não estão mais no nexo temporal, ou seja, no fluxo continuo de agoras, são portanto, narrativas, isto é, o discurso que se refere a uma temporalidade passada (ou imaginada como tal) com relação ao momento da enunciação de modo que quando se lê a bíblia, citações do corão, livro das mutações etc, o sujeito assume uma subjetividade dominadora, uma enunciação direta, um enunciado relato, uma subjetividade unilateral, a infinidade unilateral à qual se rebaixa ao julgar e definir no qual a temporalidade presente não lhe garante nada de que os fatos mencionados se tenham verificado ou venham a verifica-se. O conceito de historicidade nos dá uma ideia ainda mais clara de como o antetemporal se mantém no eu psíquico; o modo de ser do mundo histórico ou de qualquer realidade histórica, quando lemos: "muitos dos mais antigos símbolos surgiram de rituais e mitos de antigas civilizações e ainda são usados hoje"; percebemos as três determinações do tempo, passado, presente, futuro, de modo que cada uma delas se move ou caminha para outra o presente para o passado, o presente para o futuro, o futuro para o presente, assim, a fonte da temporalidade é a intratemporalidade, isto é, o agora em que algo nasce, parece ou simplesmente se dá. Existe uma forma de causação que o eu psíquico produz em torno de si uma realidade que tende para o exterior e provém de sua atualidade presente. O que torna existencial o fenômeno antetemporal da religião é além do eu psíquico, o caráter compromissível da fé; consciência relação consigo mesmo subjetividade, faz da noção uma entidade que não é redutível de dados sensíveis, sendo assim uma entidade-pensamento sem qualquer realidade. Explicação: surge por essa via do inverossímil, sem duvida, conceitos tais como percepção, juízo, afirmação, negação, coligir e contar, supor inferir – que são de modo todos eles conceitos sensíveis, ou seja, a esfera do sentido interno" - entretanto, nunca os conceitos de série anterior, que de modo algum podem valer como conceitos de atos psíquicos, isto é, verossímil e seus componentes reais. O que leva o sujeito então a crer que uma forma atenuada de intelectualidade lhe garante uma concepção válida? Uma relação arbitraria e ilegítima do meu ser com as coisas externas é algo que devo seguir secamente? A origem do conceito dessas questões não está no domínio da percepção interna. A noção que constitui as significações em questão ou as correspondentes pela nominalização assumem a posição acabada do que provém da esfera do sentido externo. Nessas condições então, a atualidade presente do eu psíquico parece uma apatia da própria consciência, ou seja, a faculdade de olhar para dentro de si, extraindo tudo de si mesmo. A relação do homem com o mundo esbarra no domínio da percepção interna, isto é, no conhecimento, para a percepção se tornar determinação é mister que o sujeito tenha manifestações que vão além da hoi polloi, ou seja, pessoas absorvidas na vida de todos os dias, poderíamos começar com aqueles que colocam a acima de tudo: "Olhe um pouco si mesmo e apreendendo suas próprias insuficiências". Minha intenção não é formar um tribunal que garanta a razão em suas pretensões legitimas, nem condenar as que não tem fundamento, mas, trazermos a luz o significado total do contexto em que se dá o fenômeno antetemporal da religião e, como se constitui um sistema ordenado de regras que descrevem conjuntamente os elementos e suas relações até um grau determinado de complexidade. O fenômeno antetemporal da religião como suas bases existenciais foi colocado em prática pelas sociedades primitivas como já citamos, e nas sociedades secundarias por motivos óbvios foi formulado e mantido do ponto de vista do individuo e subsiste com suas formas tal como as formas das coisas artificiais subsistem no intelecto do artífice . Ao mesmo tempo em que a subjetividade recebe informação, ordenam regras em toda dimensão do envolvimento religioso e, no processo de decodificação os elementos da mensagem emitida se tornam em maior ou menor graus de intensidade. Assim, no nível receptor-destinatario se buscam na memória os elementos essenciais para que o antetemporal estabeleça um escoamento continuo do fenômeno, e, por conseguinte chegamos ao núcleo do fenômeno antetemporal.

O estado imediato, ou seja, o que se mostra o que se revela, isto é, o fenômeno a porta de entrada do antetemporal. 2) Receptor-Destinatário, aquilo que vem do mundo exterior e se insere em seu critério de realidade, de possibilidade, isto é, o individual, o singular, a coisa ou ser existente que faz a ação passar de um evento a outro, influenciando o que acontece. 3) As duas condições precedentes chama-lá-emos de pré-determinantes do eu psíquico. É através delas que a consciência chega às representações e concepções, imagens das coisas, e estas podem coincidir ou não com as coisas, ou seja, ser verdadeiras ou não verdadeiras. Ato transcendente; assim, um ato se retém no sujeito enquanto que um outro se estende para fora. 4) A relação entre um sujeito e um objeto existente se dá então no núcleo central, isto é, o ato transcende a consciência. O núcleo central é em si uma condição ou possibilidade. De onde concluímos que a razão da ação exceder-se sobre os limites da experiência possível torna os constituintes da consciência vulneráveis a conotações 5) A permanência da intratemporalidade é vista no horizonte de algo simplesmente dado e indissolúvel, ou seja, a adesão aos efeitos possíveis que dá a cada ato da intencionalidade uma possibilidade de ser de existir numa constituição onde o ente determinado em seu ser possui raízes ônticas. De modo que é nos entes ideais que o intratemporal se dá e, nesse quadro teórico percebemos ainda seu funcionamento no êthos, isto é, a maneira de ser o modo de existência de um individuo sua maneira funcional no campo da religião. 6) Conversão; podemos dizer que o ato de intencionalidade pode assumir uma forma de conversão, isto é, uma estrutura subjetiva com unidades variáveis. A metanoia nos dá a conhecer o movimento real do sujeito numa superstição cega, como toda espécie de crença num poder invisível. Um bom crivo de analise da conversão tal como ela existe e tal como a partir da própria natureza foi praticada e experimentada é a crença na vida após a morte da religião celta e de sua visão do mundo. Uma outra forma de conversão que se liga à natureza dos atos comunicativos era o que se dava no escrever dos antigos egípcios, os "entalhes sagrados", ou hieróglifos, consistiam imagens que tinha valores fonéticos; por exemplo, a figura de uma coruja se tornava à letra "m", a cobra a letra "g". "A linguagem dos deuses" era assim que os egípcios chamavam esses hieróglifos. A relação simbólica do sujeito radicado num sistema de condicionamentos biológicos, psíquicos, parece-me os mais notáveis modos de transformação, de transfiguração do sujeito, onde os próprios símbolos assumem poderes mágicos. 7) Emanação; á continuidade entre causa e efeito pele qual o efeito continua a ser parte de sua causa. É no sistema de signos que se exprimem ideia onde a emanação estabelece um nexo tanto na formação da consciência como no processo de socialização e de constituição numa realidade de vida autoconsciente. Muito embora essa reflexão sobre si mesmo não seja uma ação autônoma, aparece em diferentes pontos da subjetividade. Nesse nosso sistema psicofisiológico, encontramos na imagem verbal condições favoráveis para estudarmos os graus de tensão que a emanação produz no sujeito. Esse processo continuo estabelece variações construtivas ou durativas na comunicação e toda espécie de relação.

O segmento do nosso diagrama é constituído de três unidades que são o núcleo central do fenômeno antetempoal. 1) Os entes; aparecer, parecer e aparência; atividade perceptiva ou camada original. 2) Sujeito concreto; o que se torna compreensível à ação dos elementos causais sobre a percepção; estímulos físicos. 3) Sujeito do enunciado; os sistemas perceptivos-motores se tornam um objeto de uma pressuposição, sujeito de uma atividade, e essa atividade além de se tornar um aspecto dêitico ou anafórico, assume nos quadros sociais pulsões de tendências que podem ser consideradas como base das relações entre ser humano e o mundo.

Os fatores cognitivos da natureza humana é o genoma que desde a seleção natural à seleção cultural forma as condições e possibilidades da espécie humana para seguir na crença, ensinamentos religiosos e práticas sagrada. Uma dessas condições é a subjetivação do discurso imaginário, a possibilidade da eloqüência popular de comover a multidão surpreendendo os ouvintes com anáfora e toda espécie de tropos. No mundo antigo a conversão já era um processo longo e continuo designando-se como uma espécie de auto-subjetivação. Para finalizarmos então nossa análise, as evidencias nos abre um caminho em que a determinabilidade do fenômeno antetemporal tem seu primeiro procedimento na ascese e na subjetivação do discurso, daí, então, agindo na estrutura que o organismo recebe os estímulos e os decodifica (p.ex., olho, ouvido, etc) quando se tomando a comunicação como a transferência de uma subjetivação podemos dizer, assim, de uma convicção de um crer de uma pessoa para outro lugar ou outro lugar ou outra pessoa, por intermédio um canal ou sinal e sob uma forma codificada. Ademais, é bom lembrarmos, que prova a passividade da audição é que o próprio corpo o individuo físico arrisca-se a ser surpreendido e abalado pelo que ouve, muito mais do que por qualquer objeto que lhe possa ser apresentado pela visão ou pelo tato, ou seja, acredita-se muito mais no que se ouve do que se vê! De modo que as funções da linguagem, ou seja, os diversos fins que atribuem aos enunciados é o fio condutor para que o antetemporal se torne um fenômeno existencial e, de comum acordo, a função referencial, ou cognitiva, ou denotativa é o meio para levar alguém a adotar certo comportamento. Portanto, é na fala na linguagem que a crença, a religião tem seus fundamentos existenciais.

[1] A função adquirida da fala nos dá uma ideia de cultura, ou seja, experiência, ideias, emoções que pressupõe uma comutação social. Nesse plano de expressão ainda não pensamos na linguagem nem na escritura que segue uma concatenação com a fala, logo, o elemento da linguagem vem a constituir ao da fala fazendo assim a crença e do sobrenatural uma redundância na sociedade. Só a partir daí então que podemos inferir em toda espécie de subjetividade, de modo que, à comunicação ou significação são meios necessários. (N.D.A).

[2] A representação que temos do antitemporal faz superarmos o imobilismo de sua localização estática a que o "ser ai" ou "estar ai" sugere. O "pré", e o "anti", remete ao movimento, constitui uma dinâmica de ser, uma intuição sensível necessária e universal projetada pelo sujeito hu-mano consciente e cognoscente, é nessa dinâmica de continua estruturação em que se troca estados as passagens e os lugares que conhecemos a riqueza das relações intersubjetivas, através de uma identificação privilegiada, o homem. (N.D.A.)

[3]Penso que os fins morais humanos são muito mais do que fundamentos da imaginação, a decomposição ocorre quando a doutrina teológica ocupa-se de impor preceitos que vão além de um cuidar de si onde a alma flexível essência, mais dúctil que todos os fluidos, entendo que o conhecimento mais necessário é aquele que consiste em não nos ser imposto. Portanto, podemos dizer que a autodeterminação do eu consiste na resolução do que nos são impostos, isto é, um obstáculo á liberdade de acordo com leis universais, que, por outro lado o ser do homem tal como ele é, ou seja, nada de deveres, coerção e muito menos imposições de exigências. Assim, a única ética que não permite decomposição é a máxima agir justamente.

ESCRITO POR Josemar luis Camargo 3 K leituras
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