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Sonetos

Ó jatobá frondoso! Inextricável de galhos e de anos sequiosos, revestes, tu de vidas, e de fartas sombras o terreiro de um sítio, canta a cigarra imponente em suas folhas verdejantes.
Sonetos

Ó jatobá frondoso! Inextricável de galhos e de anos sequiosos, Revestes, tu de vidas, e de fartas sombras o terreiro de um sítio, Canta a cigarra imponente em suas folhas verdejantes, Achá-la com os olhos, Ó! Que intrigante!

Corta o João-de-barro em sua copa opulenta, Sua quantidade de folhas e vida nele contidas, Multiplica-se com a luz do sol nele refletida Retirando da terra seu sustento, E dando a frugalidade ao viajante do tempo, Que repousa a seus pés numa quimera ao vento, E já tendo passado a lassidão, o viajante, levanta-se, Contempla a majestosa árvore que no sonho, Acolheu-o de um sol estafante, Volve, então, a brisa da tarde, a cigarra, o silencio.

Na quietude do campo Vem do céu, a luz do sol, encher-me de encanto, Esparrama a sua luz até as serras que me encano Guiar-me-ia por terrenos planos,

Mas o destino tão cruel, cobria-nos com seu manto, Nunca mais hei de vê-la! Foge pensamentos, Essa visão de espanto trouxe-me aqui por encanto, Então, que caminho, divagando possa encontrá-la, em meu brando, Agora, por onde passo, o rio, as pedras e os pássaros, que encanto, Ensinar-me-ão o caminho de seus sonhos. Tão estranhos! Vejo, ali, uma borboleta de asas azuis, me encanto, Talvez ela possa mostra-me o caminho! Desencanto! Mas como prendê-la em meu brando! Para onde devo ir? Ó! Lembranças porque perturba minha alma tanta. Ao pé daquele monte Onde o olhar estende-se no horizonte Vejo, penso aquelas ruínas, Uma igreja, onde houve um dia, num instante,

Uma união, o rio, o vento murmurante Doravante corre saudades, desejos excitante, Uma existência ficou uma estrela brilhante, Como um eco, de um passado distante,

E toda vez que por aqui passo, Relembro aqueles momentos eternizados, Tua lembrança vem guiar meus passos,

Haverá um momento então, quando o sol Despertar-me desse profundo estado Tê-la na memória seu semblante nunca escasso.

Teus Olhos

Parecem que me chamam me convidam A cada vez que neles olho, Afigura-me mergulhar num desejo desejado, E, tê-los tão perto e, não tocá-los,

Mergulho em pensamentos nunca imaginados, Tê-la, senti-la essa volúpia que incendeia E cresce a cada dia, Algo estranho me invadia, E essa vontade que irradia, Seu cabelo: envolvê-los sentir á magia, Suas nódoas: doce beijá-las acariciá-las, só queria,

Será que terei esse prazer um dia? Levá-los comigo, guardá-los-ia, Mas, ode encontrá-los – fugia...

Seus pensamentos tristes e sombrios Se esvaecem com a tarde, cinza que partiu, Foge o sol por de trás dos montes, Ouço um som vago no horizonte Vai se espalhando com o abano Pelas ramagens do campo Aquele vil desejo, mas me encanto! Ser, existente um encontro, Então, vem á tarde derramando suas sombras, Até chegar a noite com seu brilho as estrelas, Percebo um vulto que me espreita,

Surgindo, pouco a pouco no horizonte, Escala a lua o céu claro Sobe! Ó! Alma encontrar-se com seu amado.

Ouvindo uma balada, doce lembrança renova, Das belas tardes de outrora, Que agora, tenho-as imprimido na memória, O tempo ousou levá-la, mas, seu brilho nunca apaga, Ficou imanente em cada poente Pode o tempo, levar-nos de volta a ser inocente? Só não pode levar-nos se ficarmos descontente; O eterno, os infinitos modos de pensar,

Que o corpo já sem alma não pode alcançar, Mas entender-se-á o coligir um modo doce de amar, A liberdade, o pode discernir, Faz-nos de um perfeito modo se conduzir, Adeus paixão, que a tantos corações destruiu, Volto-me, ao amor, que é alegria e a tudo invadiu.

Poemas para Rosemarie Penso em ti, em mim, em nossas almas num só corpo passa, a existir, Vem, vem amar-me, tua presença afável, Sua existência, Ó! Doce volúpia essência, Volição eterna arde em meu peito, Minha ideia, coesão necessária com a tua, Derramando nossos corpos pela relva nua, Substância suficientemente clara e transparente, Misturando-se a mesma quantidade de movimentos de nossos corpos ardentes, Seus beijos, atributos a cada momento singular, Cria, continuamente, o amor sempre novo Após, agora que encanto; tenho certeza que te amo. Portanto, não é preciso de que nos detenhamos, Vamos, rolando, rolando, nossa essência, ficando pelos campos, Aninhando seu semblante em meu peito, Sinto, então, a fragrância, o doce envolver de seu cabelo cacheado, Aspiro, suspiro o mais belo lírio, Florido, frágil momento que se esvaece com o vento, Mas essa evasão precisa nos trás de volta o desejo, Todo instante em que por alguma razão, nossas almas estão distantes, E, quando nos encontramos! Ó! Que prazer lascivo, brilhante, Sempre ao clarear desses sois distantes. Assim, o grande manto cobre-nos, absoluto, nos trás o encanto, Surge então Vênus, com seu brilho de amor e encanto, Testemunho reluzente vem brunir a noite, - Rosemarie! É hora de partirmos -, veja, ele já está descendo no horizonte, Leva contigo, nossos momentos, cumpre-nos voltar às cruezas da vida, Já vem nascendo lembranças, nossas almas mansas, Segue os passos, a esperança sempre nasce para quem ama, Fico olhando seu corpo afastar-se na sombra da noite, Com a alma serena, o corpo flutua sucção feliz de uma atmosfera fúlvida, Ficou em tudo a presença tua.

Poço Velho

Raro tronco robusto e vigoroso, Outrora era um belo carvalho, Agora é só um tronco, Impelido com uma graça sutil, Tu foste prova daquela que partiu, Tanta, tantas coisas viu.

Ah! Vãs memórias vêm chegando, Mata-me a sede, enche-me com seu brando, O mato, a relva vem cobrindo o poço velho; Cada um inalando a exalação de um passado que sorriu, Se retrocedermos naquelas tarde de abril, Encontrá-la-ia, ali, bebendo, mansa alma que partiu, De tudo que nos fez, e serviu, ó ingrato poço, que minha bela engoliu.

Agora encostado nesse tronco, apontado para o céu, Só resta-me vê-la nas lembranças, E, então, bate assas, Dizendo: vive agora no firmamento.

Olhando ao redor do poço, Surpreendido sem esforço, Vi, ali, uma bromélia, tímida, baixa e sinistra, Mas, bela prendia-me a vista, Cedeu inteiramente a minha terna inquietação, Se tantos encantos deixou em meu coração, Ah! Bromélia triste apraz-me, pensar assim, e desejo ver-vos, Essa paixão que subjugaste tão infeliz Já vêm os raios do sol desiludindo o dia, Enobrece o tronco o poço, mas não a bromélia nem minha alma vazia.

O Estorninho

Foge desesperada alma que canta, Suava que a vista se espanta, Que fosse vos haver esperança Eu vi plantar-lhe o eco no peito sempre tantas, Agora o vento sopra os tormentos, Privações cruéis – só me resta o lamento, Que a brisa volve em doces lembranças, Que foi e não a de ser a alma manca.

De repente, estando eu sentado, Emudecido pelo horizonte sereno, Mágoas mais profundas daquele Amor que inflama celeremente meu coração, O qual me foi tirado, enquanto assim refletia sobre o doce elevo, Apareceu um passarinho, que cantava suavemente, "Entendo bem o quanto ouço, Pôs-me Deus frouxel no meu caminho.

Enquanto assim pensava, sentia meu coração palpitante o que ouvia, Partiu então o Estorninho, Nas pradarias em que o sol Lançava os últimos raios que Luzia, O resplendor de viva luz se escondia, Frondoso bosque em que o Estorninho em seus módulos versos ocupava, Mas sua melodia suave ainda se ouvia. Tê-la no peito. Ó! Que tormento, que agonia!

Desce silenciosa a sombra da noite, Cala o Estorninho, desfalece-me a fronte Mil desejos mais ardentes, que me resta, Vagar pelo recesso do bosque vivo, escorado por lembranças Da musa visão de outro dia.

Cosmo Diante da vastidão do espaço E da imensidade do tempo, Existe uma voz uma fuga, um alento, Observa. Ó! Alma olha, pro passado, Veja que distante, mas reluta num instante, Essa luz toa ofuscante, o encantamento, A luz viajando no tempo, Como a água parece nos convidar, o oceano cósmico chama. A caminho da fronteira, talvez uma ilha, o gás a poeira, Em todos mundos possíveis no espaço, Embarca meus pensamentos plácidos, E já o bastante nos confins do oceano cósmico, Deixo-me assim elevar dessa terra seduzível, Uma certeza de probabilidade é precisa. Haverá alguém lá para conversar? Ah! Tê-lo-ia, decifraria, Essa mensagem que irradia, Regressão infinita em um buraco se escondia, Corajoso homem navegante, Atentai para essas histórias de viajante, Esse brilho de fogo, tê-la no peito um instante, Aqui no limiar desse monte, Agora a roxa manhã clara, Vem tirar-me o manto, a luz já tão sonhada; As cavidades do sol escuras e sombrias, Mas no seu interior elas são nodoas frias, como monte, Descobrindo o dia.
ESCRITO POR Josemar luis Camargo 3 K leituras
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