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Entidade Motivadora

Ser existencial, provido de um modo de ser especificamente determinante constituído dos seguintes fenômenos motivacionais: 1º O pensamento é absoluto na medida.

Entidade Motivadora

Ser existencial, provido de um modo de ser especificamente determinante constituído dos seguintes fenômenos motivacionais: 1º O pensamento é absoluto na medida em que conserva aquilo que as coisas empíricas parecem não possuir. 2º A permanência, a identidade consigo mesmo através de todos os seus vividos. 3° O pensamento é o que permanece idêntico sob a multiplicidade das vivencias. 4° E é a identidade que lhe confere o poder de alcançar a identidade das coisas através do sentido que outorga a elas. 5° Essa identidade revela, também, que o pensamento não se confunde com o "eu psicológico", que é empírico, múltiplo e mutável como toda empiria.

Explicação: A subjetividade transcendental nos dá a possibilidade de identificar a Entidade Motivadora como ser existencial, porem, antes de seguirmos o curso da nossa elucidação, deve-se objetivar nossos esforços para que o conceito alcance não só o âmbito da questão possível de pesquisa, mas, sobretudo, as teorias possíveis de teste; penso, portanto, que quanto mais descritivas, forem nossos motivos, necessidades, impulsos e instintos mais será nossa capacidade de conhecer a existência privilegiada ou primaria, na sua modalidade primeira e fundamental, da qual dependem todas as suas manifestações determináveis.

Á analise fenomenológica da estrutura imanente da consciência nos trás essa possibilidade, a intencionalidade de elaborar a noção de E.M.; pois, bem, vejamos sua função operacional, poderíamos começar representando um psicanalista como um paciente as portas de um quadro depressivo.

Seção I

Wharel – "A questão da afetividade no relacionamento intersubjetivo sempre me afeta muito quando há uma dissolução, acordo durante a noite e não durmo mais, imagens passadas, possíveis imagens presentes, e, um calafrio envolve todo meu corpo, quando o dia amanhece não tenho disposição para sair da cama, me sinto deprimido, triste, não tenho vontade de falar com ninguém, a fala das pessoas em minha volta me incomoda, não tenho motivação, falta de apetite, o trabalho não me dá mais prazer algum... o senhor me entende"?

Dr.Franz – (sentado atrás de Wharel, refletia suas palavras). "Sim, por favor, continue, (para o Dr.Franz além dos aspectos psicossomáticos, a fala, ou seja, a maneira pessoal de utilizar códigos, as relações associativas (ou paradigmáticas) e as ralações sintagmáticas e tudo o que unem os termos in absentia numa serie mnemônica virtual são constituintes dos processos orgânicos e, devem, portanto, serem considerados como um sistema ordenado de regras que descrevem conjuntamente os elementos e suas relações até um grau determinado de complexidade; dentro dos padrões clínicos – pensa o Dr.Franz – nem sempre o uso de medicamentos possa ser tão eficaz do que um diálogo aberto onde á palavra conserve valor eminentemente normativo, de onde se segue, que, uma análise lingüística apurada estabelece um diagnostico mais exato, sobretudo as características fônicas, chamados de "traços distintivos" ou "pertinentes", de modo que, a concatenação que constitui a cadeia da fala, encontra-se a combinação com outros traços fônicos que podem variar em função do contexto, das condições de emissão da personalidade psíquica do locutor; em alguns pontos Wharel falava em tom baixo, com latência quando se julgava incompreendido pela namorada; os traços supra-segmentais seguiam em seu solilóquio.

Wharel – "Mas quando lembro a forma como era tratado.... descaso, humilhação, diferenciação, autoritarismo barato, minha consciência sente um alivio, como se minha alma se desprendesse de um quarto escuro fechado com o ar me sufocando, agora, tenho a sensação de ver uma luz, sentir uma brisa um vigor para prosseguir, contudo, essa sensação que eu gostaria que se tornasse uma constante é tão efêmera quanto um piscar de olhos, logo, pareço voltar ao quarto escuro e ai, tudo parece ficar ainda pior, e, quando chega a noite o núcleo da resistência parece se dissolver de vez, os dias da semana são muitos difíceis, mas, quando chega o sábado a noite, encontro uma montanha intransponível, como se todos os dias da semana eu tivesse emburrado uma grade pedra para o alto dessa montanha, e, então, quando estava quase no cimo, a pedra rolava em cima de mim me arrastando para o fundo da grota, deitado de costa fecho os olhos e queria que tudo se acabasse naquele momento; quando falo com alguém, como estou fazendo agora me sinto um pouco, mais aliviado, pareço expressar um estado latente apaziguador, a fala me soa mais ressonante, agradável, mais explicita, mas, isso também não dura por muito tempo, tão logo acaba o dialogo me encontro sozinho, a experimentar aquele estado de angustia, puxa me questiono, como posso sentir falta de alguém que não me deu nenhum motivo de alegria, só conversava comigo para me criticar ou corrigir as palavras, que coisa, uma mulher que tinha o cérebro na bunda, oca como uma parede, destituída de qualquer interesse intelectual, o negativo subsiste nela apenas como agressividade própria à afirmação, como critica total que se revela um superficial entendimento de seu pensamento. Nas intermináveis noites em que fico só, nadando na cama como se fosse um oceano sem fim, por mais que eu tente afastar sua imagem, a semelhança dessa infeliz está sempre ali a me seduzir, lembranças dos nossos atos mais lúbricos, emoções muito fortes, compensativas a tudo que não tínhamos fora da cama, sinto – mesmo que seja de uma forma muito sutil – que o tempo é uma possibilidade com varias ordens que vão me auxiliar à esquecer essa negatividade que passou pela minha vida, um plano de atividades ou de órgãos que se manteve em pé e organizou e permitiu realizar seus objetivos mais nocivos para mim, pois é, cada vez eu tenho mais convicção que o quê nos manteve juntos por quase sete anos, foi a relação sexual e, nada mais, só isso sem sombra de dúvida, o que poderia haver mais! Nada, ela tem uma pegada incrível e, acredito que meu desempenho era algo compensador o que fazia existir uma relação condizente bipolar com dois pólos positivo, algo fantástico, é isso que me torna deprimido, essa falta que torna os momentos insuportáveis como se visse a própria felicidade, mas, não conseguia alcançá-la, desejava que aqueles momentos não acabassem nunca, era tudo um processo inconsciente, momentos efêmeros que nem percebíamos; o senhor percebe o contraste, ás diferença nas relações entre duas unidades continua da cadeia afetiva, posso afirmar que se tratava de uma relação de ordem sintagmática, ou seja, a existência de relações importantes entre certas unidades (palavras diálogos que quase nunca existia, sexo, unidades complexas de toda dimensão).

O paciente do Dr.Franz, um homem de 47 anos de como se nota, apesar de tudo possuía altos dotes intelectuais, manifestou no decurso de sua vida, uma série de dissoluções em seu "curso afetivo". Dessa forma, quanto mais elevada á qualidade do espírito e do caráter do paciente, maior, despertava o interesse e simpatia do Dr.Franz, sua penetrante observação proporciona-lhe bem logo o caminho que lhe permitia prestar o paciente os primeiros passos para superar sua depressão. Havia-se notado que, nas recordações estava à informação, força ou persistência de conservação e, quanto mais à memória é constituída pela afecção conseqüentemente aumenta a força da imaginação, de onde se segue a evidente resistência, portanto, o desafio aqui é encontrar o equilíbrio. Franz pensou numa absence causativa, ou seja, a alteração da personalidade inconsciente, isto é, o sujeito realiza uma ação, sem, realizá-la com suas próprias mãos, essa ação causativa exprime o estado resultante da ação realizada puramente com palavras. A alteração de personalidade se dá então quando Wharel passa do estado racional, equilibrado, contido, para assumir ações consecutivas, emotivas, esse fenômeno psíquico é observado por oposição ao seu contrario; tensão, na analise do discurso aprimora-se por certo um estado latente de conflito quando ele diz existir um contraste "duas unidades continuas da cadeia afetiva", a relação sexual formidável, contudo, não existia dialogo, mas, uma constante de interjeições, desacordos e criticas múltiplas. Franz percebe então, onde pode estar o fio condutor de uma entidade motivadora, oposição e contrário se tornam unidades significativas mínimas, onde se manifesta a E.M; percebe-se que tão logo se manifesta se decompõe (minha consciência sente um alivio como se minha alma se desprendesse de um quarto escuro, e, agora, a sensação de ver uma luz, sentir uma brisa um vigor para seguir em frente, contudo, essa sensação que gostaria que se tornasse uma constante é tão efêmera como o piscar de olhos...). A entidade motivadora está entre a fixação do vivido psíquico e da sincronia em que se encontra o eu num momento dado, talvez a razão de ser tão difícil de fixá-la. De onde se segue que o grande desafio é encontrar o modo de manter o estado motivador. A mudança de um estado para outro é o que falamos da alteração de personalidade inconsciente, esse ponto relevante nos faz conhecer certa prática da análise das resistências. Antes de tentarmos um conceito de fixação, passemos a conhecer melhor o que se chama de função imaginaria. Essa esfera é um dos pontos essenciais para entendermos o eu parcial do eu empírico, ou seja, um objeto que preenche certa função. A ideia de seqüência constituinte estabelece essa "ação". O eu empírico se destaca na linha seqüencial em órbita da constelação, onde a função que existe entre os dois functivos, ou seja, interdependência e determinação que se manifestam, sobretudo, na fala e linguagem é o todo constituinte na manifestação da função imaginaria, esse modelo pode assumir uma ação tanto positiva como negativa, função essa exercida pelo estado da consciência em que se encontra o eu, de modo que, as interpretações psíquicas que pudemos observar no estado de absence, a função imaginaria, assumiu ações consecutivas, emotivas, afectivas ou equilibradas, racional, lógica etc. A função imaginaria entremeia esses dois pólos, a intensidade dessas variações se manifesta, sobretudo, em função de tempo. Podemos focar as forças mentais contrarias no caso de Wharel, a função imaginaria tende a causar uma divisão psíquica que o próprio paciente tenta reprimir, contudo, o desejo afetivo é dirigido para um alvo irrepreensível e mais elevado, penso, haver nos lapsos de tempo, um condigo regulador, isto é, um mecanismo de repressão. Na sucessão do ekstases o tempo psíquico estabelece graus de manifestação, mudanças de um estado para outro, a função imaginaria no estado "pré" se constitui num alto grau de afetividade o desejo se temporaliza em conjunturas de diversos modos, a dissolução no caso de Wharel é onde se estrutura um campo derivacional; abster-se do estado pejorativo que se encontra o eu é sua grande dificuldade; podemos analisar esse modo indicativo na seqüência constituinte, o pretérito imperfeito do indicativo nos dá uma ideia dinâmica pelo conflito de forças mentais contrarias, reconhecendo nela o resultado do conflito ativo da parte dos dois agrupamentos psíquicos entre si; revelando-se, pois, à fala em seu curso em sua duração percebemos que o código regulador vai se estabilizando se cristalizando no processo temporal. Nos graus de tempo que constitui o campo derivacional, o abster-se não é tão fácil assim, mas, o que então constitui a resistência, essa força contraria que repele o estado motivador? Imagens, momentos afetivos, palavras, sensações etc; fica tudo como codificação de uma mensagem em função do consciente; ela funciona, portanto, como resistência. Conhecendo a estrutura desses dois agrupamentos entre si estabelecemos condições essenciais para se fixar á entidade motivadora. Na pré-disposição depressiva a dissolução afetiva pode ser tratada pelo que Freud chamou de novo gênero de tratamento talhing cure, ou seja, cura de conversação. Contrapondo-se a esse método encontramos a duração da consciência onde o campo derivacional tem como objeto o ícone afetivo (ex; a ex-namorada de Wharel, sua imagem é como uma corrente que flui na qual é impossível distinguir estados, porque cada instante dela transpõe-se no outro em continuidade ininterrupta, ora mais intensa ora mais atenuante, a uma novidade absoluta a cada instante, em virtude do que é um processo continuo de sofrer uma ação; (ex; alguém fala a Wharel que sua ex, está nas redes sociais com um cara que se diz seu noivo); ai o afeto ou emoção, todo aquele esforço do eu para se defender das recordações penosas caem por terra; percebe-se que o enunciado por si só pode produzir condições favoráveis para que o conflito resulte na dissociação, ou para agravar ainda mais o processo de repressão. O inconsciente encobre a resistência, ela ainda existe lá, sem ser percebida, e, a cada momento como uma re-criação ou re-constituição manifesta-se; no código regulador o mecanismo da repressão tende a desconstruir o ícone afetivo que o passado preserva na consciência, a função imaginaria passa a perder forças e, o processo de repressão começa a restringir os sons (fala), códigos (imagens), e as variantes à mensagem, assumindo, assim, relutantes e configurativas que fortalecem as variantes contextuais do aparelho psíquico. A E.M vai então, tomando forma se constituindo; quando se percebe a homeostase assumindo a linha seqüencial é a conversação que será útil para por em evidencia a relação do processo temporal, ou seja, fixar um estado emotivo positivo, o conteúdo de cada variante contextual deve estar de acordo com a articulatória subjetiva de cada caso, na presente análise á uma manifestação intelectual do paciente, isto significa dizer que temos uma forma semiótica positiva a seguir, e, o que o Dr. Franz acrescenta de assaz importância é uma espécie de grafema, isto é, que a pratica da profissão de analista requer uma experiência especifica e insubstituível, á da própria análise. Assim, o analista é um elemento abstrato de um sistema dialético que se realiza por formas que ao invés de chamarmos de alógrafos, chamar-nos-emos de atividade totalizadora, ou seja, o analista deva ter sido ele mesmo analisado, cujo, o traçado que permeia depende dos seus próprios elementos analisados, ou subjetivos.

Seção II

A nossa exposição se passa agora, seis, meses após os sintomas depressivos terem se manifestado no paciente Wharel, de lá para cá, tivemos várias seções, considero, portanto, os aspectos mais determinantes, que divido em duas seções, ou seja, representação mental afetiva primária, e, representação mental afetiva secundaria. O conjunto de enunciados representativos da primeira seção contém todos os traços concernentes ás condições psíquicas do locutor. No conceito de sequência constituinte, encontramos as possibilidades de formularmos as conclusões causativas do paciente fixa, assim, um corpus representativo de sua função psíquica que comporta todas as características estruturais e, causa de sua divisão. A fixação definitiva da vida sexual constitui fatores determinantes na linha sequencial temporal ativa, esse fenômeno é o que torna convicta a manifestação de Wharel ao afirmar o quê o manteve junto á namorada por quase sete anos, foi á relação sexual, nada mais, além disso, fenômeno de tão grande importância que se conserva pelo resto da vida e, que como dizia Freud, "muitos indivíduos não conseguem suplantar jamais", penso, portanto, que ao tentarmos estabelecer a E.M., poderíamos estabilizar essa representação mental sem deixarmos de considerar que o campo derivacional é preponderante, se não, necessário para que se estabeleça tal condição, é relevante que cada caso de representação mental passem por dissimilação, ou seja, processos que tem como finalidade acentuar ou criar diferenças; abster do espaço físico pode representar um fator positivo, desde que não seque por razões de distúrbio de humor; a mudança de lugar pode ser uma espécie de ostensão intencional, nesse caso a significação ativa representa a possibilidade de haver latência, onde os impulsos contraditórios podem voltar a manifestar-se, já o não intencional existe como um processo heterométrico motivado, isto é, o sujeito conclui-se e culmina numa escolha que põe termo de maneira irrefletida aos sintomas indesejáveis, a isso chamo de percepção interna, era o que Freud chamou de ego; podemos, então, interpretar a ostensão não-intencional como um heterônimo psíquico, a diferença que aqui não há nomes co-relacionados a um mesmo sujeito, mas percepção interna distinta que se manifesta num mesmo sujeito; podemos considerar esse fenômeno como uma pressuposição da representação mental afetiva secundaria; isso não nos assegura que o caminho para se alcançar as possibilidades da E.M., seja acessíveis apenas por esse processo, isso é mais um estado da vida mental do que uma pré-disposição terapêutica.

Quando dissemos que a vida sexual constitui fatores determinantes, pode-se, considerar razões para suspeitar que a traços atrativos pertinentes na representação mental afetiva, ou seja, há algo mais do que simples relação sexual; aqui nos deparamos com o eu parcial, um eu destituído da personalidade (que é a organização dos modos como o individuo interliga-se projeta seu comportamento no mundo), ao invés de aplicar-se a toda frase interrogativa total), ela não se aplica senão a certos elementos da frase, assim, quando Wharel diz: "só a relação sexual, nos mantinha unidos", ele se refere ao tempo da ação, não sobre a ação, que podemos chamar de compressão emotiva. A teoria da repressão é o mecanismo capital para entendermos a importância prática do fator sexual. O plano, então, da expressão se passa agora, na representação mental afetiva secundária; Wharel passa a relatar um encontro casual que teve com a ex-namorada num dia desses, numa rua da cidade: "Estava num café, sentado com uns amigos, quando, notei do outro lado da rua, na calçada ela, passou junto da irmã, minha reação a principio se limitou a uma simples curiosidade, mas, uma mola parece ter me impelido da cadeira, fui até a porta, a curiosidade parece ter assumido uma convenção que lhe permitiu dar lugar a outra coisa; o que me veio à mente naquele instante foi o notável experimento de Pavlov, o cão que emitia saliva ao estimulo do som de uma campainha". O ícone afetivo, ou seja, a imagem da ex-namorada passando trás a re-constituição, muito embora, agora o código regulador tenha diminuído o impacto afetivo uma das características da percepção interna, aprendendo a produzir modificações convenientes no mundo externo, em seu próprio beneficio; como dissemos já se passara quase sete meses e o tempo psíquico se considerado como unidade de transmissão, observa-se, então, que os traços afetivos de Wharel relacionados á predisposição depressiva já se encontra a soleira de uma dissolução definitiva, considerando as informações que lhe chegam como fenômenos sensoriais; observamos que, a passagem pelo aparelho psíquico já não lhe causa aquele estado de comportamento desmotivado, desestimulante, dissociado, produziu-se, assim, um código favorável, um estimulo que pode ser considerado como signo. O índice, ou sinal, um elemento motivador – de natureza diversa- substituto de um elemento desmotivado. "Um dia desses", dizia, "encontrei-me com o pai da moça, ao avisá-lo, a princípio, pensei até em desviar-me de seu caminho, mas, a intuição me direcionou". Relatou ainda, que nos quinze minutos que permaneceu conversando com o pai da ex-namorada, mesmo, ouvido falar sobre ela, aquele elemento sensível que ele chama a formas das palavras, causou-lhe apenas uma tênue emoção que tão frágil associou-a com a forma, pela qual se avalia a situação que a gerou tal emoção, nesse caso a ação sofrida produziu condições ainda mais favoráveis para estabilizar a dissociação.

O D.Franz percebe, então, aproximar-se o momento que seu paciente já estava preparado para olhar para dentro de si mesmo; a possibilidade de se estalar a entidade motivadora é, segundo o Dr. Franz, fazer que seu paciente entenda que o psíquico é fenômeno e, não coisa, que, quer dizer na prática, "o psíquico significa um modo privilegiado de encontro, encontro consigo mesmo, isto é, o que se mostra em si mesmo". Mas, o que então essa auto-observação interior, observação que o eu faz dos próprios estados internos, podem, ajudar num estado pós-depressivo? Quais os arquétipos subjetivos que estariam consecutivos a tal tratamento? Podemos começar, citando a famosa prescrição; délfica do gnôthi seautón, ou seja, "conhece-te a ti mesmo". A persuasão é um meio tático para o sujeito ter acesso a condições favoráveis para entrar seu lugar e sentido, é bom lembrarmos que ainda não estamos falando da entidade motivadora, mas os meios para alcançá-la. Nesse momento o paciente já passara pela filtração das causas exteriores e, que a consequência das atribuições afetivas já se encontra no processo de disjunção. Como validade comum ou universalidade subjetiva, todo sujeito cognoscente são suscetíveis a tal tratamento, desde que se siga a precisão das regras lógicas. O estado interno que se encontra o paciente e, a necessidade de reativar, ou despertar suas necessidades básicas relacionadas com a sobrevivência e, sobretudo, seu estado interior estão suscetíveis agora, a termos motivacionais, de modo que, fazendo que o sujeito perceba que ele deixou um estágio inferior para uma etapa que atingi graus mais elevados, e, que consequentemente, proporciona-lhe as possibilidades de ter acesso ao conhecimento, e, sobretudo, a consciência a ser estudada em sua estrutura imanente e especifica. Constitui os arquétipos subjetivos de categorias, que chamamos constructos, portanto, função fisiológica serve ao propósito da preservação da espécie, é inteiramente peculiar á natureza humana, ou seja, todo subjetivismo é suscetível a tal tratamento. De modo que, a mais eficaz persuasão não é aquela que toma um sentido de imposição, as emergências do instinto não podem ater-se apenas ao chamado exterior, que estimule e provoque a cristalização das formas, dos comportamentos é das condutas, não acredito que qual quer harmonia preestabelecida que suscetível, de tropeço de todo o tipo, possa alcançar um bem duradouro.

O Dr. Franz então observa modificações nas proporções mais significativas enquanto que seu paciente avança; sabendo ainda através de uma minuciosa análise, que os fenômenos clínicos de seu paciente não iam além de um distúrbio afetivo, quase que podemos dizer, assim, se tratar de uma depressão profunda, sem, no entanto, apresentar sinais de sintomas psicóticos, por essa e outras razões o paciente progredira consideravelmente ao longo do tratamento, visto as atribuições afetivas agora, estarem relacionadas apenas aos advérbios de tempo (ontem, hoje, amanhã), ou seja, a possibilidade existencial e temporal de sua ocupação trás resíduos mínimos da afetividade anterior. Não obstante, que nos próximos meses haja possibilidade mesmo que seja mínima, de uma recaída. Não vejo necessidade de demonstramos o mecanismo de correlação em que o analista usa a técnica da psicanálise para alcançar a superação do conflito interno, pois, o que nos interessa aqui, é a possibilidade intencional em que o paciente passa de estado a outro, essa transferência ambivalente é o que vai nos fornecer o momento em que o paciente tende ao objetivo racional para ficar livre de seus achaques. Um fator positivo que nos auxilia e muito no estado de transferência é quando o paciente compreende sua natureza, separando, então, o que são reflexos do passado e, experiências novas e reais. Esse método que fortalece a percepção interna se amplia ainda mais ao autoconhecimento. Percebe-se que o trabalho intelectual da nossa parte é uma condição derivacional, destina-se então, a preparar o caminho para outra tarefa, o bem duradouro ou como preferirem, estado emocional equilibrado, quando se estabelece essa condição só nos resta o único passo a ser dado, ou seja, à síntese decisiva. O método pelo qual fortalecemos a percepção interna segue as mesmas propriedades gerais, estruturais da língua, isto é, a síntese da percepção interna se torna possível de transformação quando um contexto situacional (comunicação que chega até a percepção interna) torna-se concebível a esperança de permitir seu fortalecimento. O conjunto das condições psicológicas faz permitir ao analista, estabelecer essa situação. Quando a percepção interna não reage aos estímulos negativos é em virtude de estarmos diante da rejeição. De modo que, a separação das resistências é a parte do trabalho que ocasiona o momento exato de concluir a instalação de entidade motivadora. Essa conjunção lógica é o que Freud dizia ocasionar uma alteração vantajosa no ego, a qual se estabelecera independentemente do resultado da transferência e se manterá assim, esperamos firme. Á influencia do inconsciente se torna clara como um sol de quinta grandeza.

(Seção III, Final)

Dr. Franz, "De tudo que se passou nesses meses que se sucederam á ruptura de vosso relacionamento, o senhor pode perceber, ou experimentar, como é possível que o sujeito cognoscente alcance, com certeza e evidencia uma realidade de que lhe é exterior e cuja existência é heterogenia a sua"?

Wharel "Sem dúvida, pareço, ter ainda alguns resíduos de afetividade, mas, não vão além de uma obtenção de prazer passado, existe agora um ponto de iluminação, aquele de completude, o momento que nos faz refletir, não agir mais sobre o determinismo emocional, e, que um bom raciocínio não necessita de instrumentos que lhe são hostis a sua natureza, ou seja, sua forma própria de pensar".

Dr. Franz, "Muito bem, considero prudente suas deliberações e verdadeiramente sabia; essa função psicológica além de elevar a canalização dos acontecimentos a um nível mais elevado tornou sua função construtiva consciente de tal processo; chegamos então, no momento em que vossa consciência esta preparada para fixar a entidade motivadora, ou seja, a predisposição em estabelecer a possibilidade de instalação de uma forma rigorosa de pensar e, que consequentemente se torna irreversível; eu vou continuar falando com o senhor e, se estiver de acordo com o enunciado faça um sinal afirmativo ou negativo, se preferir pode responder com as palavras, sim ou não, de acordo, podemos começar"?

Whare, "Sim; podemos".

Dr. Franz, "Pois, bem, diz-se de uma coisa daquilo que nela tem validade do ponto de vista de si mesma e, por conseguinte, do prisma de sua interioridade; da qualidade de alguma coisa ser valida de modo irrestrito em todos os seus aspectos; então, o nosso pensamento se constitui dessa forma"?

Wharel, (faz um sinal afirmativo).

Dr. Fraz, "O senhor acredita que o psicologismo por si só consegue resolver o problema fundamental da teoria do conhecimento"?

Wharel, "Não"!

Dr. Franz, "A tendência de naturalismo, do qual o psicologismo é um caso particular, consiste em resolver a questão anulando a dualidade ou a diferença entre o sujeito e objeto, e afirmando que a única realidade é a natureza"!

Wharel, "Sim".

Dr. Franz, "É mister preocuparmo-nos primeiro com as operações realizadas pela consciência antes de nos atermos apenas com a operação pela qual a existência efetiva do mundo exterior nos chega"!

Wharel, "Sim".

Dr. Franz, "Acreditar espontaneamente que as coisas exteriores existem tais como nós a vemos, é uma atitude segura e, á sendo, não necessita ser fundamentada já que é, o modo de se viver cotidiano".

Wharel, "Não"!

Dr. Franz, "Por outro lado, o senhor acredita que a investigação que se ocupa em primeiro lugar com as operações realizadas pela consciência, e, que se preocupa com a essência ou significado e, que busque por fim a essência da própria consciência enquanto constituidora ou produtora das essências ideais, e, que defina a essência ou estrutura necessária do objeto a ser estudado".

Wharel, "Sim".

Dr. Franz, "Muito bem".

O Dr. Franz, conclui que diante da reação verbal de seu paciente, se encontra agora, diante de uma função signica positiva, ou seja, os elementos vinculantes de um sistema vinculado, o primeiro se torna a expressão do segundo, de onde se segue, por seu turno, torna-se o conteúdo do primeiro. O conteúdo tende por se estabilizar, tornando ambos os elementos correlatos functivos da correlação. Diante do processo temporal observa-se que se forma uma interdependência, uma determinação ou uma constelação motivadora quase que intransponível. Podemos então, ter a concepção da entidade motivadora com a seguinte retórica:

consciência coisa

percepção ideação

(Operação essencial realizada pela consciência)

A plena consciência dessa operação se torna em si mesma um fenômeno motivacional, além disso, tem como experiência sua vivencia o que lhe dá um método comparativo de vida.

Wharel, "Estou me sentido muito bem; seguro de mim mesmo é como que olhasse através de um vidro transparente e, visse a mim mesmo, minha consciência e o mundo exterior que muitas vezes nos mostra tão hostil". O Dr. Franz, feliz, diz, "O que o senhor sente agora é a própria presença da entidade motivadora".




ESCRITO POR Josemar luis Camargo 4 K leituras
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