Teatro
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Que Significa Pensar?
Sinopse
Tudo começa num palácio da cidade de Ur na Mesopotâmia, muito embora a força constante e dinâmica que impulsiona o ser humano a criação de figurações gráfica terem começado bem antes com os pictogramas, ideogramas, é no vale do Tigre e do Eufrates que a escrita começa a tomar forma concreta com uma civilização avançada onde sua língua permanecera viva por milênios. O Apreciador de Palavras um ente atemporal provido de um modo de ser especifico é o nosso interlocutor. Ele vê, percebe, sente, ouve, monologa, contudo, sua existência é como uma nuvem que passa até a musa Calíope sussurrar em seu ouvido, então, no mesmo instante percebe sua sombra se materializar, o que o torna existente. Enquanto lia os escritos cuneiformes, percebe de um dos ângulos surgir feixes de luzes que pouco a pouco vão se formado traços humanos de uma jovem formosa a "Palavra", em seguida, ao lado, na mesma fonte, aparece à interferência de dois feixes de luz simultâneo, começam a resultar em outra imagem flutuante, criando franjas de interferência (padrões de luz e sombra) que registram a profundidade e o contorno do objeto; "a Escrita". Se a existência é o modo de ser próprio da criatura, porquanto significa estar embaixo ou em cima, e supõe substância, ou seja, o Ser divino que a sustenta e a cria. Mas não era o suficiente para fazer da existência o tema de uma nova especulação. Outro passo nessa direção pode ser visto; o Apreciador de Palavras cultivando a semente sobre a terra; ela nos apresenta a Crença, o Mito, a Fábula, o Poeta, a Razão, a Lógica e o Achismo. Exceto o Poeta, todos os outros seres são atemporais, isto é, a razão necessária que forma a estrutura de uma sociedade. O Apreciador de Palavras anuncia: "cada um de vós tem uma razão necessária para existir". A célula principal é o mundo exterior, daí se estende toda pluralidade e simultaneidade dramática. O Poeta é um caso a parte, e como comparar os traços fisionômicos dum grande homem com suas obras. Os poetas, suas biografias, as notas sobre os costumes, os hábitos. Não existe poeta, mas, poetas, cada um tem seu modo próprio de segurar á pena. Diferente da Fábula, do Mito e da Crença. O Apreciador de Palavras os situa como um esquema gráfico da existência. A Palavra a Escrita fora criados para tornar os homens menos tolos e mais honrados. Mito, Fábula e a Crença cada um tem alguma lição para nos, se os abordar de maneira adequada. "Sabe qual é o segredo do verdadeiro scholar"? Pergunta um pensador. "Em todo homem há algo que eu posso aprender com ele, e nisso, sou seu discípulo". O momento que a Crença exalta o cenário natural da Grécia em gestação – às circunvizinhanças do mar Ergeu constitui momento decisivo na formação do povo e da cultura grega. Na península e nas ilhas diz: "as ilhas balizam o largo, onde a limpidez do ar parece tornar ainda mais próxima as costas vizinhas". O cenário natural como motivo e recordação, de grandes acontecimentos, foi quando o Apreciador de Palavras caminhava por veredas que atravessam paisagens montanhosas, percebeu num instante, algo causar um sussurro em seu ouvido, decorrente da musa Calíope, filha de Júpiter e Mnemósine, musa da eloqüência e da poesia épica; "vive Apreciador de Palavras", exclama, e num instante ele vê sua sombra se formar ao seu lado com várias tendências da existência que o sol reconhecia e as distinguia a partir de significado que dão a categorias da possibilidade e do uso que dela fazem."Ser" o verbo dava a cada um então a inerência, identidade (ou suposição), relação, á cúpula de uma razão necessária. As celebrações vibrantes das festas dionisíacas, onde aparecem contos e sagas que os aedos (poetas e declamadores ambulantes) que continuamente foram enriquecendo a língua. As tragédias de Sófocles, as comedias de Aristófanes, uma mistura dos dialetos, eólio e jônico, tudo se transformando em matéria entre coisas e entre fatos. Os passeios por entre as Oliveiras, os pomares, a participação das coisas criadas no ser de tempo de deuses e heróis. "Ouse pensar, meu amigo", a Lógica convida a Razão; a Lógica tinha em mente a ideia principal de popularizar o conhecimento, democratizar a leitura e o saber: induzir, levar, forçar até o povo a pensar e, não deixar os outros pensarem por eles, não necessariamente os letrados, os mandantes e os governantes, mas algo começava a despontar no horizonte, que faria o povo não pensar, mas obedecer, seguir normas, critérios e leis estabelecidas e impostas. A Razão diz: "o habito é o principal magistrado na vida do homem e, que lutar contra tabus, era a melhor maneira de abrir as mentes para o mundo e o mundo para o espírito critico. O que significa pensar"? "A natureza não pode ser comandada, mas, obedecida". "O que é – é o que é". Comenta a importância do poema de Parmênides que se divide em três partes: o poema, rico em metáforas, descreve uma experiência de ascese e de revelação mostrando o que seria a "via da verdade"; a segunda parte caracteriza a "via da opinião". O Apreciador de Palavras pensa:"a Lógica enaltecer metáforas"! É que à de fato uma distinção fundamental entre os dois caminhos. Enquanto assim, a conversa vai por vias do dialético e demonstrativo, entra um criado e fala a seu senhor, e logo em seguida entra o Achismo, um exemplo claro de uma estrutura binária. A Lógica pergunta-lhe: "já lhe disseram que ás vezes é lógico"? O oposto entre a posse e a privação; a Lógica situa o Achismo não como algo que não tem ou não apresenta, mas, o que deixou de ter ou não apresenta; a Razão já o edifica como se reconhece a falácia; o Apreciador de Palavras o coloca com a harmonia da diversidade: apatia, simpatia, diz: "a natureza foi sabia"; o Achismo, por sua vez, acreditaque achar é muito melhor que pensar. A Lógica no Forum Romanum percebe a essência como resposta à pergunta, "o que"? Quando o orador começa dizendo: "Eu acho", a Lógica, levanta-se e sai. Para ela, a definição não manifesta a essência de uma coisa, mas foi definida como resposta. Com esse conceito a Lógica se retirou pensando: "a discrição e um discurso que conduz a coisa através de suas pegadas". Na fria manhã de fevereiro, a conversa discorria sobre as emoções, o Apreciador de Palavras: "tragédia e comédia são irmãos". A emoção como índice de situações, a Crença: "a maior parte das emoções estão na guerra, que suscita a conquista, a glória, sugere uma maior devoção a crença pela vida"; a Lógica: "as emoções, ou impulsos irracionais procura bens capazes de conservar o conatus, tanto quanto a ação o faz, mas é guiada pela imaginação e não pelo intelecto. Esse enfraquecimento faz com que os objetos da paixão ou emoção sejam negativos: tristeza, ódio, medo, ciúme, vingança etc; o homem sábio só pode tomar consciência delas e se afastar o quanto puder, e viver segundo a razão". Já para o Poeta as emoções é o combustível necessário para uma grande obra, de onde parece só haver juízos errados e caos, tragédias, opiniões vazias e desprovidas de sentido, é exatamente onde ele encontra terreno fértil, fluência rítmica, voluptuosa, força para estremecer o intimo da alma. O Mito situa o Poeta bem além de seu tempo, quanto a mim diz: "posso até morrer no espaço, mas não no tempo, porque os mitos receberam dos deuses o dom da transformação". A Fábula responde: "a poesia recebe seu sopro necessário para as emoções que a movem". O Achismo, por fim, no último suspiro, parece aceitar a "palavra", e responde: "eu penso que"! Personagens Palavra Escrita A Crença O Mito A Fábula A Razão A Lógica O Poeta O Achismo Apreciador de Palavras Criado} do Mito Criado} da Razão Cidadãos de Brindisi, Homens, Oradores, Conselheiros, Poetas, Filósofos e Séquito Coro Ato: IFluxo Pulsional Cena I: Mesopotâmia cidade de Ur. Um palácio, com divisões que estabeleceu ma transição gradual entre o espaço interno e o espaço externo. No espaço interno, grossas paredes e baixo relevo, arcos, esculturas e itens de decoração; alguns utensílios de escrita (tabuletas de argila cálamo de junco) um tablet de 6 côvados iluminado por dois archotes, instrumentos musicais (harpa, liras, tambores), pesos (em forma de pato ou barril de pedras dura), mobiliários, cerâmicas fina, tijolos de barro, e mosaicos; no espaço externo pode se ver algumas rodas para o torno de oleiro e veículos. O Apreciador de Palavras observa junto ao espaço interno ao lado dos utensílios de escrita cuneiformes, de um dos ângulos do tablet iluminado começa a formar-se um holograma criando a imagem humana de um elemento lingüístico significativo composto de um ou mais fonemas: a Palavra; a imagem de uma jovem mulher em seguida, adjunto ao mesmo ângulo começa a se formar outro holograma, uma sequência suscetível de transcrição (ideogramatica, silabário e alfabética) compreendido entre dois espaços em branco; a Escrita numa imagem humana masculina. Escrita– Oh que bom sentir a existência (começa como acordando de um longo sono), estou vendo em seus olhos (diz com interjeição para a Palavra) Palavra – Ó! O que estas vendo! Escrita – Perífrases lindas, ações com detalhes encantadores. Coisas simples que possibilita esclarecer várias noções através da mesma forma. Como por exemplo: o azul imenso para designar "o mar". Palavra – Tu és gentil, poético. Mesmo que minha essência esteja ligada a falta de rigor que esta fixada á natureza convencional, mutável e sistêmica da linguagem, quando a expressão apresenta-se como uma sequência ordenada de sons específicos, oh..., é como se eu experimentasse algum tipo ou forma superior de emoção. Uma afeição determinada, mas determinada de modo simples, isto é, de tal modo que mesmo quando seu conteúdo é solido e verdadeiro (o que nem sempre acontece), ele assume a forma de "particularidade acidental". O que chamam de improviso. Mas, como o sentimento revela o infinito não posso deixar a subjetividade, intima e inexprimível e, não disser ás palavras que toda mulher gosta de ouvir: "Fale-me um pouco de vos"! Escrita – (sorri, oferece-lhe o braço com assentimento, caminham até onde estão os instrumentos musicais, o Apreciador de Palavras senta-se numa cadeira baixa) Eu sou um pouco complicado, sabe, é eu nem diria complicado, mas, complexo, complicado é quem dificulta o que deveria ser simples, não é meu caso, veja se me entende, por exemplo, me atenho aos seus elementos irredutíveis, isto é, a palavra. Não que eu prefira se expressar de forma direta, ou seja, usar o método flexionante às monossilábicas ou isolantes. A minha constituição é assaz complexas. Tu sabes o quanto á admiro, e não são esses detalhes que não nos aproximara. Acredito que a minha e a tua função seja fazer algo para cultuar sempre a natureza humana, a ponto de certos ramos da indagação cientifica que vivem cercados do respeito das crenças e até supersticioso dos leigos, que nem sequer pensam em transpor os umbrais do terreno sagrado para ver como se movem e como se comportam os habitantes da clausura. Mas, não cabe a mim, questionar com direito de opinar em certos preceitos, deixarei isso para a razão a lógica que participam da natureza dos métodos e o conteúdo de tais ciências. Infelizmente a minha função muita das vezes contribui largamente para o desprestigio de uma ciência os charlatães, os maus especialistas, os pseudo-sabedores. Escrita foi criada para todos e, isso a faz engrandecer ainda mais o conhecimento. É precisamente o que se dá, confundida com a pior deformação da gramática, andou aos trancos e barrancos, entregue às mãos de sujeitos profundamente antipáticos e cheios de si, brigões profissionais, caturras, empunhadores de palmatórias, castigadores de erros. Palavra – Fazer o que precisa ser feito, a escrita a fala, poucos são os que tem ideia nítida do caráter cientifico da linguagem. Basta ver que frequentissimamente se pergunta a alguém tido por conhecedor da escrita da fala ou conhecedor de tal ciência: "Qual é sua opinião sobre tal ponto"! Note-se que ninguém pediria a um matemático ou a um físico a opinião sobre vetores, sobre cálculos trigonométricos ou sobre problemas de acústicas. O curioso pergunta sempre a estes especialistas como é isto ou aquilo. Apreciador de Palavras–(levanta-se, vai até uma pequena mesa, pega uma caneca de cerveja a ergue, oferece á Ninkasi, e, toma um bom gole, pousa a caneca sobre a mesa e, se dirige para perto dos tijolos de pedra, a Palavra e a Escrita se assentam numa poltrona de frente para o espaço externo de onde vem uma brisa suave, começa um monólogo) Palavra, escrita é com eles que o valor do homem em sua totalidade e a tentativa de compreendê-los em seu mundo. A terra a semente é o que representa a palavra e a escrita, se pretendemos ter reconhecimento da totalidade do homem como ser formado de alma e corpo e destinado a viver no mundo e a dominá-lo. Não tem como negar que quando dominamos a fala e a escrita estávamos predestinados a dominar o mundo, a comunicação é o maior reconhecimento do valor humano, a troca verbal entre falantes que produz a educação do homem como tal, e a representação da língua falada tem na escrita as "boas artes", a ordem que forma o homem e o diferenciam dos outros animais (faz uma pausa, vai até o grande tablet de escritas cuneiformes, observa e, num instante a claridade aumenta e, com ela, os pictogramas começam evoluir para fonogramas, decorrem até parar no código de Ur-Nammu, dentro em pouco, ouve-se o som do tempo passando, com essa percepção, volta-se ao monólogo) O código de UR-Nammu, e mais uns escritos abaixo, notamos que a designação dos meios de comunicação que mais interessa a sociedade são: política, clima, noticias que vem de longe e economia. O clima desde sempre interessou ao ser humano. Noticias do cotidiano da cidade como: assassinado de mulheres motivado por violência domestica menosprezo ou discriminação á condição de mulher; política que usa o poder e a autoridade de seu cargo para obter ganhos privados ilegítimos e benefícios pessoais, em vez de servir ao interesse público, toda uma gama de fenômenos sociais que existem numa sociedade e continuaram a existir. A dinâmica humana é muito complexa. O conjunto da nossa faculdade do conhecimento, a saber, o campo do suprassensível refere-se a uma esfera da realidade que transcende a percepção e só pode ser alcançada pelo intelecto ou pela razão. Esse é um campo que temos que ocupar com ideias em favor do uso da razão, tanto teórica como pratica, mas isso não ocorre no que respeita as leis provenientes do conceito de liberdade, a razão de tantos males. Bem, mas minha função é tratar de outros tantos mundos diferentes, sou apenas um apreciador de palavras e, como tal procuro pensar ás palavras igual á filosofia que faz uma reflexão sobre si mesma. Usar as palavras como se estivesse lapidando um diamante. O homem possui a palavra, com ela exprimi-se o bem e o mau, o justo e o injusto. A linguagem esta sempre a nossa volta, devemos pensar muito bem antes de falar procurar usá-la de forma bem definida, a forma propriamente humana da comunicação, devemos tratá-la muito bem, coloquial, formal a trama do pensamento o tesouro da memória. (vai até a mesa onde está a caneca de cerveja, pega-a, e se dirigi para o espaço externo, senta-se numa mureta de pedra perto do torno de oleiro, ouve-se o tempo passando) Pano Ato II Consistência Cena I: Grécia. Oikos na encosta sul do Monte Parnaso, da varanda externa dá para avistar o oráculo de Delphi, uma ampla sala interna com decoração simples e funcional, cadeiras, mesas, arcas, triclinio, presença de tecidos finos e tapeçarias, adjunto um pátio interno central que fornece luz natural e ventilação, um altar para Zeus Herkeios, protetor do lar. O Mito e a Fábula estão em um sofá longo e inclinado em forma de U ao redor de uma mesa baixa, a Crença diante do altar de Zeus permanece numa locução em voz baixa. Mito – Minha amiga, explicar o mundo não é tarefa fácil. (assim dizendo, põe-se de pé e caminha envolta da mesa comendo algumas nozes) Os deuses se agradam tanto com alguns mortais que se dispõem, às vezes, a deixar os cimos do Olimpo para compartilhar de seus sacrifícios e banquetes. Fábula – Bom ter razão, preceito que nos favoreça num mundo onde o lobo nada entre as ovelhas os fulvos leões e os tigres lutam nas águas! (Dá um suspiro e torna-se lassa no sofá) Mito – Temos muito em comum, a natureza parece nos unificar em um só corpo. Eu, por mais que me esforço ainda assim, sou considerado um produto inferior ou até deformado da atividade intelectual. A mim se atribui no máximo verossimilhança, enquanto a verdade pertence os produtos genuínos do intelecto. Será o discurso humano só isso que pode aspirar? Ás vezes me sinto triste... (emotivo com ar de profunda reflexão) Fábula – (reitera com surpresa) Você triste! Voz me parece sempre acima do mundo, das coisas, senhor da insensibilidade, embora, sua coerência demonstre mais unidade sentimental que regras lógicas. Mito – Não posso negar que carrego comigo dilemas e comportamentos humanos. Segundo o sentido genérico de desenvolvimento, atribuíram-me interpretações físicas, morais, metafísicas ou de outras ciências, segundo lhes animassem a fantasia o outro compromisso ou capricho, alegorias eruditas supuseram-me como Fábula. (a fábula e o Mito perpassam para a varanda externa) Cena II: A mesma. Entra O Apreciador de Palavras. Crença – (em voz alta) Vem, brisa suave, vem afagar-me! Vem, brisa suave vem... (continua a exclamar quando ouvi, ou julgou ouvir no corredor da entrada principal um ruído semelhante a um soluço, supondo ser algum criado, desvia atenção do ruído, quando surge à entrada da sala, o Apreciador de Palavras, a Crença o recebe com afagos) Oh! Quanto tempo que não o vejo! Disseram-me que tu estavas aqui, não o havia visto ainda. Apreciador de Palavras – (com cortesia e uma expressão gentil)Sim, minha amiga á quanto tempo; estava andando pelos jardins, aprecio muito esses jardins utilitários, oliveiras, vinhas, ciprestes e ervas aromáticas à simplicidade perfumes e á beleza funcional criam um ambiente de harmonia com a natureza um local sagrado. Encontrava-me ao oeste da Grécia a linha divisória entre as águas do Levante, mais familiares, e as do Poente, envolvidas em mistérios e terror. Crenças – Sim, e cheias de estranhas proezas. Apreciador de Palavras – Trago dessas minhas viagens lembranças e narrativas maravilhosas. Creio que foi às circunvizinhanças do mar Egeu onde fiquei alguns meses na península e nas ilhas. Esse local, segundo me parece, as condições e a época onde vi chegar os últimos bandos de invasores, os Dórios, instalando-se na Tessália, na Grécia central, no Peloponeso, em Greta, recalcando os aqueus e fazendo suceder ao brilhantismo do período micênico. Crença – Estavas em dias muito felizes mesmo. Essa região eu me lembro, onde a limpidez do ar parece tornar ainda mais próxima as costas vizinhas. Apreciador de Palavras – Quase dá para fazer a travessia a nado. (risos) Recordação dos feitos pretéritos dos arqueus. Nesse solo, enquanto andava, havia um vale rodeado de densa vegetação de ciprestes e pinheiros. Na extremidade do vale havia uma grande pedra, não adornada pela arte, mas a natureza imitara a arte em seu traçado, pois delineava em sua abóbada a imagem de um rosto humano. De um lado, jorrava uma fonte cujas águas se espelhavam uma bacia cristalina. Ali, vagando sem qualquer objetivo definido, foi, quando, senti, num instante um sussurro em meu ouvido, e mal acabara de sentir essa manifestação, percebi a reprodução no chão de minha sombra como um fantasma a me acompanhar e, a meu lado um débil vulto que foi se materializando, a imagem da musa Calíope a reconheci logo, o ar majestoso, a cabeça cingida por uma coroa de ouro indicava sua supremacia, com seu olhar imponente que exala força e sabedoria. "Vive Apreciador de Palavras"! – exclama – "E para que desenvolva e aprecie as boas letras, seus aedos celebram-lhes as façanhas gloriosas e, reatando, por essa forma o presente com o passado, contribua para que, por alturas dos séculos, floresça as narrativas, manancial de toda a poesia e prosa". E, dizendo, assim, o vento norte, que espalha as nuvens, a levou foi encadeada em pouco tempo já alçara as nuvens, empurradas em bloco. Crença – Belíssimas recordações, amigo. Os deuses nos favorecem a tal ponto que se dispõem, às vezes, a deixar os cimos do Olimpo. (Fábula e Mito se aproximam) Fábula – Aqui esta o homem que fomenta a exposição sistemática dos conhecimentos que se tem a respeito das boas letras. Mito – Sim, indubitavelmente. O que a natureza faz do homem não é imaginado apenas para focalizar os amáveis dons que a juventude irradia no filho das boas letras, mas, suas ações em si. Fábula – Nos causa um sentimento de alegria em reencontrá-lo. Mito – Satisfação. Apreciador de Palavras – A honra favorece a mim de estar entre vós. (com abrangência) Os primórdios que constitui e constituíram sempre à origem da cultura, o que tem existência distinta e independente e, que as gerações futuras reconheceram e conheceram a totalidade do homem como ser formado de alma e corpo e, destinado a viver no mundo e a dominá-lo. Crença – (enquanto se senta) É isso pensar com assentimento. Fábula – Uma espécie de relíquia sagrada e tênue aura de tempos melhores. Mito – (com interação) Uma verdade autentica. Apreciado de Palavras - (anda um pouco, pensa, busca a leveza e a simplicidade das palavras) Vós sois o caráter introdutório, mas extremamente abrangente que tomou como fundamento a natureza humana. Mito – O que nos faz ser. Apreciador de Palavras – Sim, entre vós me sinto à vontade. Conversarmos não só no "como e no porquê", mas nosso dialogo leve e acessível flui para diversas partes, fatos ou fatores que se relacionam à nossa existência. Crença – (com ênfase) E isso nos agrada muito. Apreciador de Palavras – "Ser"! Esse verbo me faz refletir as características fundamentais desse conceito de ser predicativo. Se não existisse o Mito a Crença, Fábula como seria a definição do homem? Como pensaríamos a história da civilização? O conhecimento humano torna-se cada vez mais vasto. Parece-me que seguimos uma razão necessária. Crença – Concordo plenamente. Fábula – Em meio a uma erudição sem precedentes, ainda assim, floresce a ignorância popular. Mito – Percebe que a uma distinção fundamental entre o que é indispensável para vida e sobrevivência (necessidade) e o que é apenas desejado, supérfluo ou dispensável. O hiato entre a vida e o conhecimento está ficando cada vez mais amplo... Apreciador de Palavras – Creio haver em vós essa inerência necessária para que a ciência não tenha outro objeto além do conhecimento. Crença – Poderás, meu grande amigo perceber que o mundo está mudando. (Com voz de profunda reflexão) Está se alastrando pela sociedade desconfiança. A crença de que o mundo existe e que é exatamente tal como o percebemos. Apreciador de Palavras – Sim, as cosias podem até mudar, contudo, a inerência, identidade e relação, essas, asseguro que são eternas. Cena III: A Mesma. Entra o Poeta e o Criado. No pátio interno conversam à parte a Fábula e o Mito, quando o Criado entra, se, aproxima e fala em voz baixa ao Mito, este faz um assentimento o Criado sai em seguida retorna com o Poeta. Mito – Chaire! Alegro-me em vê-lo de volta. Poeta – Chaire! (os cumprimenta) Sabes de um prazer maior e mais vivo do que estar entre amigos! Fábula – Só do amor sensual. Mito – (Ri com satisfação) Ó esse é o mais violento. Notastes quem está ali! (faz um gesto olhando para o Apreciador de Palavras que está no sofá conversando com a Crença) venham... Poeta – Chaire! Ora, que surpresa em encontrá-lo aqui. E você também minha amiga! (À parte para a Crença; o Apreciador de Palavras se levanta cumprimenta-o com um gesto sereno) Logo tu, o legislador de façanhas tão gloriosas é um prazer. Tu pareces um autentico oráculo, Apreciador de Palavras, ao descrever a vida da maior parte dos mortais. Quem mais do que ti que cultua as boas falas, poderás, me dizer se estou certo. A propósito a última vez que o encontrei foi na Tessália nas festas dionisícas! Apreciador de palavras – Sim. (Se assentam, o Criado serve Oinos) Crença – Ah, os poetas! Alçam a culminância trágica. É verdade que precisaria ter o demônio em pessoa dentro de si para simular uma paixão? Poeta –É isso mesmo, multiplica os considerando os todos, emanações mais ou menos remotas, da divindade suprema. É preciso ter a voz que nos chama para a tarefa vencer em qualquer uma das artes, "algo de divino". Depois voltar a ser o que sois. Fábula – Seria desagradável e sem emoção se os poetas fossem obrigados a introduzir em suas criações senão a imagem do bom caráter. "Os dons que dá Pomona, ali Natura, produze diferentes sabores". Mito – Não se pode negar que a obra dos aedos enriqueceu-se com a observação humana, e a variedade dos caracteres que nos apresenta. Era-o evidentemente um em particular que conheci em Creta: pouco atraente, feio, fútil, irreverente, obsceno, inescrupuloso, às vezes até desonesto, um homem com os defeitos de sua época e de sua cidade, praticamente não lhe faltando nenhum. E, no entanto, esse mesmo poeta se revela ter sido incansavelmente bom, atencioso, prodigo quanto a sua energia e sua bolsa, tão aplicado em ajudar amigos, quanto em esmagar inimigos, capaz de matar com um golpe de sua pena e, no entanto, desarmado pela primeira proposta de conciliação. Percebe o que é complexo e o que é complicado no ser humano? Apreciador de Palavras – Mas todas essas qualidades boas e más, são secundárias, não constituem a essência do poeta sabes o detalhe assombroso e básico qual era? Poeta – Sabe-lo-ei se me disseres. Apreciador de Palavras – Era a inexaurível fertilidade e brilhantismo de sua mente. Poeta – Minha profissão é dizer o que penso. Estar plenamente vivo encher de vida toda nossa época. Apreciador de Palavras – Precisamos de leões sorridentes. Fábula –Um pai dizia que tinha dois idiotas como filhos – um em verso, o outro em prosa -, mas tão logo olhando através do tempo, percebeu o espírito dos seus filhos: "inteligência pura, a transmutar em brincadeira, fogo em luz". Poeta – Todas as pessoas são boas, exceto as ociosas. Apreciador de Palavras – Como dizia Sócrates: "O mais belo é também o mais digno de ser amado". Poeta – Como não. Apreciador de Palavras – O mestre não se referia apenas a beleza estética, mas, sobretudo a beleza interior, essa dizia ele; "é a mais nobre". (Com saudosismo) As festas dionisícas de outrora era tudo de bom. Muitíssimas vezes estava lá. Celebrações vibrantes e libertadoras músicas, danças e rituais as normas sociais eram quebradas, tudo dentro de um língua literária que ia se enriquecendo com inovações e contribuições de cada um, arte da composição épica, á um tempo oratória e narrativa, a versificação engenhosa e maleável, e a língua compósita, instrumento de arte, diversa da linguagem falada. Poeta – Sim. As fórmulas métricas que recebemos de uma linguagem de aedos precedentes, assim, as perífrases que, no transcurso dos anos se foram enriquecendo com as inovações e contribuições de cada um. As tragédias de Sófocles, as comédias de Aristófanes, ah, uma em particular "Lisistrata", lembra-te! Apreciador de Palavras – Sim, essa comédia ganhou uma das competições, ficou famosa; o nome do protagonista, as mulheres gregas fazem greve de sexo para forçar os maridos acabar com a guerra. E, do dialogo de Sócrates e Glauco: Sócrates indaga: "Sabes de um prazer maior e mais vivo do que o amor sensual". Glauco, responde: "Não, não há nenhum mais violento". O dramaturgo vai mais além e transforma a matéria que tem entre as mãos. O que surpreendia era liberdade com que Aristófanes, Sófocles escreviam o que quisessem. Ali estava um povo que tinha opinião própria. Por certo – Por certo. (Desse modo a conversa seguia animada, até a Crença fazer um sinal para o Mito e de preparar o corpo para se levantar.) Crença – Vamos dar um volta para ver as oliveiras e a vinhas. (Levanta-se) Vós nos acompanhais! Fábula – Sim. Apreciador de Palavras –Não vou se não se importam, amanhã devo partir bem cedo, vou descansar um pouco. Mito – Fique à vontade caro amigo. E tu nos acompanhas! (Diz para o poeta) Poeta – Sim, claro. Se a natureza não nós tivesse feito um pouco frívolos seriamos infelicíssimos. (Ao caminharem pelo corredor externo ainda se ouviu a voz da Fábula exclamar: "Uma pálida luz! Oh, chega até nós o tímido clarão". O Apreciador de Palavras deu algumas voltas pela sala, depois, sentou-se calmamente numa cadeira, ficou como se sentisse feliz em seu jardim; a luz natural foi diminuindo gradualmente, até ouvir-se o som do tempo passando.) Pano Ato III Existência Cena I: Brindisi Itália. Casa em estilo vernacular, seu interior de pedras de calcário, paredes espessas, telhado cônico, piso de cerâmica e pedra, um pátio central, oferecendo privacidade e ventilação. Mobília rústica e funcional, luminárias de ferro forjado, mesa robusta, cristalinas e terracota, armário e cadeiras simples. Janelas arqueadas com persianas de madeira, varanda e balcões, no qual proporciona uma vista das ruas estreita. Entram a Lógica a Razão e o Apreciador de Palavras. No pátio central a Razão e o Apreciador de Palavras conversam, na sala junto à mesa, esta a Lógica. Lógica – (À parte) "Ouse pensar meu amigo"! (pega alguns papéis sobre a mesa e lê para si) Razão – (Avança solenemente a passo cadenciado e se move em torno da Lógica) Parece-me que estas lendo! Lógica – Tua suposição está correta. É algo que uso fazer, ler um texto de forma individual, sem vocalização. Razão – Uma boa técnica para internalizar e compreender melhor o texto. Lógica – (Franzindo a sobrancelha) Veja, a política dos ensaios prega um conservantismo natural. A que aspira o governo? Varias indagações: as causas e motivos das sedições são inovações na religião; os impostos; as modificações de leis e costumes; o cancelamento de privilégios; a opressão generalizada e, por ai vai... Uns quer um forte poder central, outros, a monarquia diz ser a melhor forma de governo. Razão – O habito é o principal magistrado da vida do homem. Lógica – (À parte) O habito humano está sempre ao lado dos intermediários divinos... Apreciador de Palavras – (Se aproximando) Estava pensando... Não quero interromper a conversa de vós. Razão – Não. Estávamos numa conversa informal. Apreciador de Palavras – Então, parece que foi ontem que surgiu no ocidente mais precisamente na Grécia uma nova mentalidade, que passa substituir as antigas construções mitológicas pela aventura intelectual, expressa através de investigações cientificas e especulações filosóficas. (Calmo, prosaicamente) É só para situar a importância desse momento, o homem, então, para um pouco de imaginar e começa a penar. Sabe aquela essência própria e completamente diferente da dos bárbaros orientais. Vês claramente que essa divina crença que é a monarquia e vai permanecer muito tempo ainda, é só para pegar o gancho do que conversavam. Tudo segue uma razão necessária, assim, toda nossa mentalidade vai deixando resíduos que vão fixando e tomando forma. Tudo quanto é percebido pelos sentidos. Ou pela consciência, tudo o que se observa de extraordinário no ar no céu, fato de natureza moral ou social, o que é raro e surpreendente. Razão – Penso que, o melhor para o ser humano é o conhecimento que a razão passa a ter de si mesmo para saber o que pode conhecer, e o que pode fazer, tendo como finalidade a felicidade humana. Lógica – O que significa pensar? Apreciador de palavras – A pergunta eterna. É o mesmo que perguntar quem nos criou? Razão - Só para concluir, então, para entendermos o presente e, melhorarmos o futuro, é necessário deslocar o eixo da questão: a expressão dos conhecimentos "archaiose logos", e o interesse pela natureza da chamada mentalidade primitiva ou arcaica. É evidente que o fato histórico como: "único dotado, factual, relativo e existencial", uma fundamentação teórica e critica dos conhecimentos e práticas. O tempo no-lo mostrara no momento oportuno. Percebes como a uma segmentação necessária nesse processo < relativo >< existencial >. O tempo não é estanque para entendermos o que se dá aqui, o agora, a ciência se encarrega de recolher e registrar as ações humanas como elas se desenrolaram em todos os lugares e através dos tempos; mas, tentar mensurar o tempo presente ou futuro, admitamos que é algo complexo, de modo que, tendes, consumir muito o tempo de nossa conversa. Portanto, voltemos ao assunto que parece termos nós afastado um pouco, a saber: as melhores formas de governo. A democracia, quando bem aplicada nos favorece um bem presente e, o futuro, possível de previsão, não é mesmo? Apreciador de Palavras – É o que eu penso. A monarquia! Fartai-vos deste espetáculo. A democracia chega para compensar a balança. Como pode ser um governo bem instituído o domínio de um só homem, se ele pode fazer o que quer sem dar satisfação a ninguém? (à parte) Imaginem um republicano no poder! (Risos) Monarca, ou republicano, tende a tornar-se tirano. Por outro lado temos o governo do povo (à parte), onde reina a hipocrisia; acreditam ser o melhor, porque, todos são "iguais", contudo, também tende a degenerar e a tornar-se desenfreada demagogia. (com a mão sobre a testa) Creio que o tempo, mostrara qual a melhor forma de governo e qual constituição será de tal forma que ninguém seja obrigado a cumprir às ações as quais a lei não obriga nem deixa de cumprir as que a lei permite. (Senta-se ao lado da mesa). Para isso precisamos de leis muito bem instituídas e definidas. Lógica – (Movendo-se desabrido, desdenhosa) "A natureza não pode ser comandada, exceto ao ser obedecida". "O que é – é o que é". Apreciador de Palavras – (Com reparo) Como assim? Lógica – Perdoa-me, estava lendo uma frase de um filosofo, e me expressei apenas. (com um papel nas mãos) A propósito, o poema de Parmênides, embora seja rico em metáforas me parece lógico, descreve uma experiência de ascese e de revelação, a primeira parte apresenta o conteúdo principal dessa revelação mostrado qual seria "a via da verdade", a segunda parte caracteriza "a via da opinião". Enquanto vos discutiam, melhor governo me veio à mente algo que mesmo não sendo percebido imediatamente, de modo que, contextualizando o que diziam com esse conceito. A distinção fundamental entre os dois conceitos está em que, no primeiro, o homem se deixa conduzir apenas pela razão e é então levado a evidencia de que "o que é, - é o que é", e não pode deixar de ser "primeira formulação explicita do principio lógico – ontológico de identidade". Já na secunda via "os mortais de duas cabeças", pelo fato de atentarem para os dados empíricos, as informações dos sentidos, não chegaria ao desvelamento da verdade "aletheia" e a certeza permanecendo no nível instável das opiniões e das convenções de linguagem. Razão – (Com assentimento) Fascinante. Muito bem colocado seu parecer. O que Parmênides faz é extrair do fundo das primeiras cosmogonias filosóficas seu arcabouço lógico, centralizando na noção de unidade. (se afasta um pouco e senta-se) Lógica – (A estas palavras, fixa o olhar na Razão, assim, falou) Particularmente os caracteres da imutabilidade, imobilidade e unidade contrariavam frontalmente o depoimento dos sentidos, que percebe um mundo de coisas diversas, moveis e mutáveis. Alcançaremos muito em breve – no campo das relações intersubjetivas – um raciocínio para indicar "a ciências dos fenômenos sociais", uma espécie de analise empírica ou teoria que se refira aos fatos sociais, ou seja, as efetivas relações intersubjetivas, em oposição "as filosofias" ou "metafísicas" da sociedade, que pretendem explicar a natureza da sociedade como um todo, independente dos fatos e de modo definitivo. Apreciador de Palavras – (Fala como se fosse para uma assembléia) Sem duvida na historia do pensamento ocidental sempre foram feitas observações úteis e decisivas nesse sentido que encontram lugar especialmente na ética e na política. Lógica – (com agudeza de raciocínio) Contudo, tais observações não constituem uma disciplina autônoma, dotada de metodologia própria. Cena II: A mesma. Entram o Criado e o Achismo. Enquanto o Apreciador de Palavras e a Lógica conversam do outro lado a Razão, sentado, olha de um lado a outro, entra o Criado, fala a seu senhor, a Razão faz um gesto de assentimento, sai o Criado. A Razão levanta-se vai até onde esta o Apreciador de Palavras e a Lógica. Razão – (Em tom de ironia) Temos um visitante ilustre! Lógica – (Um pouco ausente) É bonito pelo menos. Razão – Quem mais que ti é capaz de definir a beleza. (Volta o Criado conduzindo o Achismo) Apreciador de Palavras – És Tu! Razão – Sahl-vaw! Achismo –Sahl-vaw! Apreciador de Palavras – Sahl-vaw! (A Lógica mantinha-se imutável, como se a imobilidade e unidade contrariasse frontalmente o depoimento dos sentidos, ao perceber o Achismo, faz uma observância apenas) Apreciador de Palavras – Como estás, caro amigo! Achismo – Ser-vos-ei grato, por receber-me, acolher, numa tarde tão fria. Razão – Sinta-se a vontade. A propósito a ultima vez que o encontrei foi em Roma! Achismo – Sim, me lembro bem, participava de um concurso da falácia que por ocasião ganhei em primeiro lugar, em três categorias; aparência da verdade; falácias formais e falácias informais. (Risos) Apreciador de Palavras – Muito bom que chegastes! Nossa conversa estava formal demais. É bom não ser brilhante demais para uma tragédia. Achismo – Acho que é importante sempre estarmos ocupado com algo, mesmo que seja para atacar pessoas que faz argumentos em vez de refutá-los. Não estar ocupado e não existir vêm a dar na mesma coisa. Logica – (com gravidade) Já lhe disseram que às vezes é lógico! Achismo – Não. Mas que minha natureza é mais incoerente que coerente. (Risos) Lógica - Pois então tu estás lendo muita filosofia. A sua singularidade é lógica. Veja, no plano conceptual (significado), uma unidade só recebe valor pela limitação que ela sofre por existirem outras unidades em relação virtual com ela. O exemplo clássico da enantiodromia de Heráclito de Éfeso, isto é, elementos antagônicos (como luz/sombra, bem/mal, guerra/paz, acho/penso) (Risos), não apenas coexistem, mas dependem um do outro para existir e atingir o equilíbrio percebe que a harmonia nasce da interação entre essas forças oposta. Achismo – É por isso que às vezes sou lógico? (Risos) Apreciador de Palavras – A harmonia da diversidade. Já imaginou se não existissem qualidades ou características que faz algo ser distinto de outras coisas? Veja a apatia, esse termo significa propriamente insensibilidade no uso filosófico, designa ideal moral dos cínicos e dos estóicos, ou seja, a indiferença em relação a todas as emoções, o desprezo por elas: indiferença e desprezo alcançado mediante o exercício da virtude. Nesse sentido, para o qual a insensibilidade não é um dom inato e natural, mas, um ideal de vida difícil de alcançar; cínicos e estóicos encontraram na apatia a própria felicidade. Contudo, vejo na apatia um ideal nobre, mas acrescento que a natureza foi sabia quando deu ao homem a simpatia, para guiá-lo provisoriamente – antes que nele a razão alcance a maturidade. Razão – O achismo é uma maneira de identificar a falácia referencial. Achismo – É por isso que eu prefiro achar ao invés de pensar; a ciência de quase certeza me dá maior segurança em formar opiniões, julgamentos, fazer analise ou crenças. Já imaginara se no lugar de dizer: "eu acho" eu dissesse "eu penso"; é melhor nem tentar construir uma verdade apodítica. Melhor basear-se em suposições, a minha crença pessoal sem comprovação me causa menos problemas. Melhor deixar espaço para duvidas do que passar opróbrios desnecessários. Razão – (Cortez) Muito bem, a conversa está boa, vamos aproveitar a ocasião e degustar um bom mulsum. (vão, na direção da mesa) Achismo – Não há duvida, minha garganta já está seca. (O Apreciador de Palavras e a Lógica se colocam do lado oposto de onde estão o Achismo e a Razão.) Apreciador de Palavras – (À parte com a Lógica) Compreendes a perfeição, o que quero dizer, quando falo da importância dos opostos, antítese... Lógica – Recear, temer, ter medo só tem valor próprio por oposição. Se recear não existisse, todo o seu conteúdo iria para seus concorrentes. Apreciador de Palavras – Chamá-los-ão brandamente a razão de "necessários" os opostos. Quando digo que a natureza foi sabia, veja no caso das línguas, a diferença fônica tem seu valor gramático: por exemplo, em língua latina a diferença de sonoridade entre /p/ e /b/, que permite opor as palavras pato e bato, é uma oposição. O que passa por extraordinário é extraordinário, somente em relação a alguma oposição particular. Percebe o caso do "Achismo", uma coisa tem seu lugar determinado no tempo só sob condição de presumir no estado precedente outra coisa que ela precise seguir sempre. Lógica – A ordem de toda a natureza e o nexo das causas. Apreciador de Palavras – O achismo está em voga, nunca se achou tanto como se acha agora. E sem falar nos vícios de linguagem, gerundismo, pleonasmo vicioso, barbarismo e o mais abominável o estrangeirismo que eu penso ser a desvalorização da própria língua. Um vício de linguagem que se fala muito agora, em uso principalmente pelo publico feminino é o: "na verdade", "na verdade"; comumente, essa locução adverbial de afirmação ou retificação se torna um vício de linguagem, quando usada de forma excessiva, repetitiva, desnecessária, mais grave ainda, e se tu perguntasses a pessoa o que vos entende por "verdade"? Ou não terá uma definição razoável da palavra ou simplesmente não saberá responder. Cratipo de Pérgamo celebre filosofo e homem das letras dizia: "em Roma como antes acontecera na Grécia, tudo dependia do povo. E o povo – adverte – depende essencialmente da palavra. A coroa de mirto, de que se cinge às frontes dos oradores, tornava-os invioláveis pelas opiniões e pelos votos que proferissem. Palavras muito bem pensadas, definidas e calculadas, a arte do bem dizer encontra a arte do bem viver". E, essa questão do achismo não fica apenas no âmbito do senso comum, ela se estende se alastra por uma área cada vez maior, no campo acadêmico, que deveria por legal, combater-la, parece digerir ignorar o que mastiga e engole e, assim vai se impregnando na organização geral das faculdades humanas como a imaginação, que produz a realidade, mas nela não há realidade, mas onde encontramos todos os erros da mente humana, diz que a mente não erra porque imagina, mas apenas porque acredita na presença das coisas imaginadas, que por definição não estão presentes. Diferente da imaginação com inteligência que é simplesmente reprodutiva e, que como fantasia é criadora, simbolizante, alegorizante ou poetante (à parte) Parece animada a conversa. (Conclui, olhando para a mesa onde estão a Razão e o Achismo.) Lógica – Á umas duas semanas, estive no Forum Romanum, o orador anunciou o tema: "causa para que", a causalidade formal (equidade), que Aristóteles discorria em sua metafísica; quando logo de inicio o orador começa: "Eu acho que", no mesmo instante houve uma manifestação sonora coletiva, ruidosa, expressão de desagrado em cada semblante que estava perto de onde estava, como se um sismo estivesse enfraquecido a mentalidade de quem ali estava. O próprio Aristóteles se ali se encontrasse presenciaria a violação profusamente de seus próprios cânones, eu em reverencia a forma do correto pensar, levantei-me, sai, sem dizer uma única palavra. E, parece não parar por ai! Apreciador de Palavras – Certamente que não. (Olha para a Lógica e faz um gesto com a mão) A conversa parece animada! (vão, na direção onde estão o Achismo e a Razão) Razão – Estamos num dialogo informal! (a Razão parecia deixar o interlocutor confortável para falar) Achismo – Em novembro passado achei que melhoraria minhas finanças se investisse em obrigações com a Grécia e Macedônia, apesar de algumas objeções de Augusto, de modo que, as obrigações subiram estava lucrando, até aparecer um corretor gatuno, tentando, chantagear-me ameaçando tornar público as transações.Eu ia salta-lhe à garganta, antão, achei uma forma mais contundente. "Vou precisar dele por mais um ano no máximo", disse a um amigo: "espreme a laranja e joga fora o bagaço da laranja". Mas, como estava vos dizendo, estou sempre sonhando com o bagaço da laranja. Parece não poder haver sonhos, exceto sonhos de desejos. (...) O homem que caiu do alto de um campanário e, ao achar que a queda pelo ar era suave, disse: "está bem, desde que dure não se sentia nem um pouco como me sinto". E a carta que recebi de uma jovem da Cicília que cortejava, dizia: "sois ser mais sedutor que conheço capaz de fazer-vos amado por todo o mundo, quando quiseres. Possuis tais dons de inteligência, que podeis ofender e, ao mesmo tempo, merecer a indulgência daqueles que vos conhecem. Em suma, serieis perfeito, se não fosses o achismo." (Risos) Razão – Nem sempre se pode ser perfeito. (à parte para o Apreciador de Palavras) Nada como um diálogo informal para fortalecer os vínculos. Apreciador de Palavras – Há pouca amizade pelo mundo, e principalmente entre os iguais. Um dos principais frutos da amizade é o alivio e descarga do volume e das distensões do coração que as paixões de todos os tipos provocam e induzem. Razão – Um amigo é um ouvido. Apreciador de Palavras – Quem tiver a mente repleta de muitos pensamentos, suas faculdades mentais e sua compreensão ficam mais claras e se fragmentam na comunicação e na conversa com outra pessoa; quando as ideias se transformam em palavras, tornam-se mais inteligentes do que era, e isso mais por um discurso de uma hora do que pela meditação de um dia inteiro. Achismo – Vós usais palavras e expressões muito complexas para minha compreensão. Lógica – É o que se faz distinguir os raciocínios verdadeiros dos falsos, independentemente de seu conteúdo. Achismo – (À parte) Nada é tão enfadonho quanto à lógica. Lógica – E nada tão importante. Achismo – Acho de todos os órgãos dos sentidos, o olho é no meu entender o que mais se assemelha ao sol. Portanto, deixe-me contar um pouco como minha lógica se alimenta nessa fonte. Uma pessoa um dia me aconselhou a confiar mais na revelação do que à razão, respondi: "embora às vezes eu ache irreal o fruto que colho com minha compreensão natural, isso não pode fazer com que eu sinta outra coisa que não satisfação, porque na coleta eu me sinto feliz e passo meus dias não suspirando e triste, mas em paz, serenidade e alegria". Às vezes meu achismo, se enche de espanto com a quantidade de inveja, recriminação, desprezo mútuo e até mesmo o ódio que agita e separa os homens. Razão – Até aqui, nosso nobre amigo nos oferece uma ética muito espartana. Apreciador de Palavras – Para sermos nós mesmos temos que nós completar. Achismo – (à parte para a Razão) Obrigado pelo nobre. Então, como estava a vós falar sobre o "olho", havia um filosofo babilônico tão sábio quando pode ser um homem; conhecia tanto de metafísica quanto já se conheceu em qualquer época – isto é, pouco um absolutamente nada. A inveja fez com que ele imaginasse estar apaixonado por uma jovem senhorita. Ao defendê-la contra assaltantes, foi ferido no olho esquerdo. Enviou-se um mensageiro a Mênfis, para chamar um grande médico egípcio, que chegou acompanhado de numeroso séquito. Ele visitou o filosofo e declarou que o paciente iria perder o olho. Chegou até prever o dia e a hora em que se daria o fatal evento. "se fosse o olho direito", disse, "eu poderia tê-lo curado facilmente; mas ferimento no olho esquerdo são incuráveis". Toda a babilônia lamentou o destino do filosofo, e admirou os profundos conhecimentos do médico. Em dois dias, o abscesso veio totalmente a furo por vontade própria, e o filosofo ficou perfeitamente curado. O médico escreveu um livro para provar que o abscesso não deveria ter cicatrizado. O filosofo não leu o livro. Em vez disso, correu pra o lado da jovem senhorita, apenas para descobrir que, tão logo ouvira o primeiro diagnostico do médico, ela se comprometera com outro homem, uma vez que, segundo ela, "sentia uma incontrolável aversão a homens caolhos". É por isso que eu acho que o sol é o olho que tudo vê. (provoca risos em todos, exceto à Lógica que mantinha um semblante grave e circunspecto) Razão – A metáfora cênica, uma boa incongruência me faz pensar que a sensação visual parece ser completamente em todos os momentos, pois, não lhe falta nada que surgindo posteriormente, venha completar-lhe a forma, e o prazer tambémparece ser dessa natureza. Apreciador de palavras – Sim. Como um poeta, tudo que ele escreve com entusiasmo e sopro sagrado é sem dúvida, belo. Razão – Muitos eruditos não têm inteligência. É preciso forjar muitos pensamentos, não muito conhecimento. Achismo – Como eu não entendo muito de vossas proposições, fico com meu mundo do achismo, onde o ridículo é apenas certo defeito, torpeza anódina inocente; que bem o demonstra, por exemplo, á mascara cênica que, sendo feia e disforme, não tem (expressão de) dor. Um amigo uma vez me disse: "sua mente é como uma armadilha de urso... que foi deixada na chuva e enferrujou". (Silencio, a luz vai diminuindo até se extinguir.) Ato IV Psique Prólogo Entra o Coro Coro – Tragédia ou comédia?O que faz o entendimento humano ser tão interessante? As diferenças talvez seja a maior das tragédias, a expressão a melhor comédia; a escrita a fala a melhor imitação em hexâmetro criada. Ornamentada pelo ser existencial predicativo do sujeito, com várias espécies de ornamentos distribuídos pelas diversas partes [do drama] [imitação que se efetua] não por narrativas, mas mediante atores, e que, suscitando um evento ou um padrão de comportamento que se manifesta em escala coletiva, moldando e senso moldado pelas sociedades ao longo do tempo. A Lógica nos convida: "Ouse pensar, meu amigo". Observa-se, comumente que o povo – que bom que fosse apenas o povo – mais "acha" do que "pensa". Os outros parecem pensar pelo povo. Não necessariamente os letrados, os mandantes e os governantes, mas de modo particular saímos dos critérios e leis estabelecidas e impostas, e, alçamos algo ainda mais pernicioso, ás ideologias. Cena I: A mesma. Entram o Mito, a Crença, Fábula, Poeta e o Criado. Razão – Vês assim, meu amigo, que faz muito frio ainda. Mês de fevereiro, pode até nevar ainda. Mito – Sim, está bem frio. A propósito quando saiamos de Roma, encontramos as tropas de Augusto indo para oeste em grande campanha. Razão – Com certeza se dirigiam, para a Península Ibérica e a Gália que já está sendo pacificada. Mito – Muitos admitem que as grandes ações militares estejam acima das grandes ações civis, é opinião que se deve destruir. Razão – É verdade que muitos homens estimam, procuram a guerra, porque aspiram à glória. Crença – Eu creio que seja mais para a conquista do que pela guerra em si. Fábula – A conquista leva à glória. Lógica – (à parte) Nihil est in intellectus quin prius fuerit in sense. "Nada existe na inteligência que não tenha existido primeiramente nos sentidos". (A Razão pede licença, e vai até o pátio interno onde estão o Apreciador de Palavras o Achismo e o Poeta, os traz para junto dos demais) Razão – Sentem-se senhores, fiquem à vontade. (diz indicando a mesa robusta) Poeta – Então, como estava a vós falar, a tragédia como imitação de uma ação de caráter elevado, um desses ornamentos distribuídos pelas diversas parte uma em particular me chama a atenção; às emoções, essa condição na qual a meu ver o que nos arrasta no fluxo da vida. Apreciador de Palavras –A psique em ação, emoção como índice de uma situação, ou melhor, do valor que ela tem para a existência do homem. A forma e a enteléquia, realização, ato, é por assim, dizer que a tragédia e a comédia são irmãos. (Entra o Criado e serve Mulsum) Crença – É o que comentávamos sobre a guerra; conquista glória, o que os estóicos distinguem em quatro emoções fundamentais, duas das quais tem origem em bens presumidos, desejos de bem futuro e alegria pelos bens presentes; e as duas restantes, em males presumidos; temor de males futuros e aflição pelos males presentes. Lógica – As três dessas emoções, mais precisamente ao desejo, à alegria e ao temor, correspondem três estados normais, próprios do sábio, que são respectivamente, vontade, alegria e precaução, três estados de calma e de equilíbrio racional. Poeta – Eu entendo a alegria e a tristeza como espécies de afcções e, é com essas que se atingem as emoções humanas. (com um olhar calculado, cínico e frio) Assim, eu prefiro sempre começar com a consideração de um efeito. Mantendo sempre a originalidade em vista, pois é falso a si mesmo que se arrisca a dispensar uma fonte de interesse tão evidente e tão facilmente alcançada. Mesmo aquele que pense o mundo, como ordenação racional perfeita, e que nada têm que possa ameaçá-lo ou afligir-lhe, e que sendo o ser racional perfeito, os efeitos, ou impressões a que são suscetíveis o coração, a inteligência ou, mais geralmente a alma; a vontade irá prendê-la. E o que é o medo e a tristeza senão vontade que repudia coisas não desejadas? Fábula – Nada mais verdadeiro. Conheces outra condição, mais importante da poesia dramática que não seja a fábula? Represento o principio o enredo ou, melhor a parte mais fundamental da tragédia. De modo que, a tragédia não é uma imitação de homens, mas de ações e da vida. Não é do meu perfil se alto predicar, contudo, só desejo esclarecer que fábula não é apenas uma sequência de fatos, mas uma combinação ordenada de incidentes. Felicidade [e infelicidade; mas felicidade] ou infelicidade, reside na ação, e a própria finalidade da vida é uma ação, não uma qualidade. Lógica – Os acontecimentos na fábula não devem ocorrer ao acaso. Eles devem seguir uma sequência lógica onde um evento leva a outro por necessidade ou verossimilhança. [probabilidade] Isso torna a narrativa filosófica e universal do que história. Apreciador de Palavras – Ouvindo vós é como se eu olhasse a própria essência do predicativo. Achismo – Eu acho também. (Risos) Poeta – Pois, pela imitação das ações, então: (levanta-se e declama) Diante da vastidão do espaço. E da imensidade do tempo; Existe uma voz, uma fuga, um alento; Observa; Oh! Alma olha pro passado; Veja que distante, mas reluta num instante; Essa luz tão ofuscante o encantamento a luz viajando no tempo; Como a água parece nos convidar, o oceano chama. Mito – Bravo! No verso, "a luz viajando no tempo", encontra-se um verdadeiro germe de um pensamento, que parece bem além do nosso tempo. A uma percepção de prazer na uniformidade de sons, da ideia a que objetiva. Apreciador de Palavras – A arte de escrever e de falar corretamente a língua é o mais belo verso. Versificação não é arte de arranjar, mas, o próprio arranjo, distinção demasiado evidente para precisar de comentários. A minha missão é descrever os lances tão, vários quanto dramáticos da existência ora agitada, tormentosa, ora cultivando nosso pomar – é a melhor coisa que podemos fazer na terra – que, se desenvolve e se consome toda no culto das letras. O homem de boas letras não precisa escrever um livro, com um leve arranhão se mensura o tamanho de sua garra, não partilha das paixões dos outros homens, desenha arvores e nuvens que se assemelham a sonhos de nuvens e de arvores, ou antes, que se assemelham a seus estranhos personagens, agitados como eles. Oh! É um prazer enorme estar aqui, diante de tão notáveis personagens. E, se o modo de ação habitual das emoções consiste em dispor a alma a desejar as coisas que a natureza nos faz sentir, não encontro momento melhor do que estar em tão boa companhia. A natureza nos fez assim como somos, não só para demonstrar que "todo ser tem sua razão de ser", mas, sobretudo, a idealidade e do belo absoluto, o senso estético por excelência. Isso decorre de sua natureza ser bem determinada. Mas, aqui não vamos nos estender em significados do ser, que penso ser algo que nos arrastaria por muito tempo, por horas, pensemos o ser como possibilidade. De modo que, possibilidades são também relações reais entre os entes: como bem vós sois aqui; estes não se mesclam nem deixam de mesclar-se em absoluto, mas apresentam determinadas possibilidades de relações. Razão – Como as letras do alfabeto e com os sons – alguns podem misturar-se e outros não. Crença – Perfeitamente. Apreciador de Palavras – Portanto, só para esclarecer de uma forma simples: aqui formamos em sentido lógico, o mapa ou plano de uma relação. Reconheço que nenhuma civilização pode pensar a si mesma sem dispor de algumas outras como termo de comparação. Lógica – Um processo de significação. Como a língua é um sistema de signos que exprimem ideias, e por isso, é confrontável com a escrita, o alfabeto, os escritos simbólicos, as formulas de cortesia, os sinais militares, etc. Então, pode-se dizer que o modo como as partes ou elementos se relacionam é caracterizada pelo fato de propor como fim sua própria possibilidade de ser. Mito – Uma espécie de semiose, isto é, uma influencia que seja ou envolva uma cooperação de três sujeitos, como por exemplo; um signo o seu objeto e o seu interpretante, tal influencia trirelativa não sendo jamais passível de resolução em uma ação entre duplas. Achismo – Eu penso que, a ordem de sucessão das funções é constante. (Risos) Pano
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