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PALAS

Destes também, eu agora sou a porção arrastada na eternidade, do pensamento apropriando-se as portas do milênio.

PALAS

I

Destes também, eu agora sou a porção arrastada na eternidade,

Do pensamento apropriando-se as portas do milênio,

Tomado no espaço, envolto no tempo as partículas dos meus membros afirma: você existiu,

Na posteridade se cumpriu o que o ente tão bem constituiu e,

Guirlandas floridas servem aos olhos dos mortais

Portanto, volta seus olhos ao redor, percebes o todo que te carrega te arremessa,

Mas porque nisso insisto como se grandes coisas eu fizesse!

Ó nações eis tão grande, mais o que fizestes? Alvorece, ai estas o divino,

Olhos chegando, envolto pelo fulgor de um turbilhão de sois,

Espalhado, subjaz a espera da matéria mortal,

Uma vez soltas no espaço consumarão, crescidas um nome lhes atribuíram os homens,

Distintivo de cada, natureza presente a mente firmemente, pois não deceparas o que a de advir,

O que é? Sossegado agora é o vento que trás os únicos caminhos de inquérito que são o pensar,

De uma túnica que reveste a consciência

Entre séculos, episódios em montes recolhido, a dormir no enxuto canto da memória,

Eles se tornaram em contos entre árvores e belas copas.

Palas estais a minha frente, na noção do espaço do tempo presente, a imiscibilidade lhe garante a pureza,

Composta por um movimento rotatório entrelaço com os olhos, Zeus, Hera, Aidoneus e Nêmesis,

Tudo suspiro sinto perfumes de rica fragâncias, decompõe-se em uma única substância,

Ó mortais como ousa no mesmo lar, crer que o divino ser se assenta, na mesma mesa,

Ameaça-lo com tal contenta, Aidoneus que envolve o homem desprovido de membros avulta,

Quando Nêmesis toda cai em seu dorso, dois ramos irrompe, nem pés, nem ágeis joelhos,

Nem vergonhas peludas, nada ameaça o milênio,

O homem se diz interpreta e consciente desse mundo, expande-se,

Por emoções e poucas razões, diluindo a movimentação dos átomos,

Que esse começo, reflexão nos traga um apreço, começo, universo a liberdade,

De convencionar, impute violência tirania para lançar-nos mais adiante, doravante

Ainda o homem considere a natureza inteira como que apenas um disfarce,

Até quando errante conceitos se distrai, afastando-se da beleza e tudo mais,

Compreendes divino que é tudo trevas, luz e sempre faz, no infinito do espaço

Onde estais na minha frente onde mais.

II

Com o corisco a corça com seu amplo sentido verás á galgar para outra margem dos cantares;

Volveu o tempo num segundo vinculando a força física a conduta cortesã ao heroísmo guerreiro,

Eternos nem estão fora do tempo,

Per ribeira do rio

Vi o divino, sobejas e aquele ramo destas avellanas,

Amiga corça sois falar comigo, e anda já fora algur

U em soia, bem vos semelha velidas assas sem mensura,

Algur, filharei eu Don a mia senhor,

Se a verdade quiseres achar, outro caminho convém buscar,

A corça quando por grave, ora nembrades afan, cantou-m, i, dixe

Outro caminho convém a buscar.

III

Que a corça dos campos já se ia,

Até avistar o mar que vastidão se expandia

Olhos com que vos olhasse,

Tendo então, eu percebia;

Passares o ordenar para a pomba que belos ares expandia a navegar,

Sendo mui fremosa dama,

Toda branca, tendo o céu a mais pura chama,

O seu príncipe a desejar o divino se apresenta na sua alma moça,

E tudo tão lindo, então se ouça,

Descia a cortar os ares esmaltando o decifrar,

Pois já livre estavas e quisestes sujeição

Iluminava o espírito dos poetas e, convocava

O capitão-mor a buscar terras então,

E no seio do mundo, inocente, mas não já selvagem

Muitos bosques, pradarias e selva lhe esperasse

Que de si vos dará fama os olhos – verdes e amarelos

E quando vi que descia,

De plácido céu azul respondia,

O revoar de suas assa, celeremente seguia.

IV

De tranqüilo céu a terra fecunda

Os mares límpidos tal esquadra recebia,

Olhos cândido em tam continua liberdade,

A tudo examina, oclusão até então da obvenção de um mundo em ascensão

E ver no mar a naus que se ancorava,

Se ria no tosco entendimento, oblongos mastros que sustentava a abobada dos ventos,

O monteiro em guisa enriquecia sua ânsia,

Deveis poderoso rei a tudo imaginei

Levar-te-ei toda essa liberdade

Fará nisto vossa alteza,

Os olhos do divino eu julgarei,

Mas para onde estende fremosa massa verde,

Se meus olhos não alcançam se quebram no horizonte.

V

Se de tudo já alicerces ressentia,

Daquela paz visões altas, meu só bem

Quem vos a vós não vê, mas se sentia,

De tal vento que d'alto cai acordar-m'-ia,

As sombras das bananeiras que sob seus pés, fria água vertia,

Ó causas todas vas, todas mudáveis,

Qual é tal coração, qu'em toda parte corrompia,

Passam os tempos vai dia trás dia,

Quantos Egeus e Centimanos toda terra engolia,

Das aves canoras que por essas paineiras se ouvia,

Nem rouxinol, cisne em nada compará-los-ia

Por esses caminhos que em tudo prometia,

Seguia desbravadores onde nada se media;

Resplandecência apenas em seus olhos guia,

O brilho convidativo das esmeraldas que nos rios os envolvia,

De tal sorte a armada em nada se média,

Subia, descia aos olhos do divino que em tudo

Grandíssima estatura irradia.

VI

Dos filhos de Piratininga pelos sertões seguia,

Contra a dura terra que serra sobre serra se erguia,

O Peabiru de ásperos matos de espessura brava se abria

Até os olhos vencidos pelo retábulo do divino,

Cercado por dobras mágoas do golosso de pedra – o gigante

Repousa, e sob o céu num segundo esbraveja,

Nuvens escuras e, logo chuva serôdia se vertia, nem, portanto, se mexia,

Suficiente, logo a frente, capaz de corresponder ao amor de um gigante,

Formosa índia com seu amor o envolvia;

Ao avistar aqueles que invadia pressurosa logo se escondia,

Súbita diante os olhos se apartou,

Desfez-se a nuvem negra e com sonoro bramido para longe a paz levou.

VII

Formosa terra que na primavera a rosa purpurina trouxe,

Junto aos horizontes o contorno de cidades,

Astro gentil, estrelas peregrina iluminou-se

Da terra mãe um clamor de vozes elevou-se,

O divino em seu seio assentou-lhes;

A aragem de tal povo como formigas revelou-se,

Vem trazer-vos crueza, impiedade – ao labor negro

Que de longínqua terra brancas asas levastes,

E não pode agruras contar,

E sob a terra nasce então,

Onde cada cota de seu labor vem orvalhar-se,

Doce planta que por vastos prados a raiz busca o palpitar,

D fibra de seus braços fortes

Doce substancia da terra tirastes;

E quanto o negrume o céu recebe a lua,

Em teu seio ó mãe terra, frio horror coou pelos membros,

Rouca voz começou modular doce amargor,

Tudo isso encontrastes.

VIII

Segue os tempos e o coração da nova terra palpita,

Novas letras á tudo se ilumina,

Das sombras dos casarões patriarcais que se erguia,

Surgi então uma nova simetria;

Das mãos fortes imigrantes se expandia

Toda ânsia de metrópole se erguia;

Dos poetas e pintores novas letras e cores apareciam,

Dos rios novas águas, então corriam resplendor vivo do sol que de leste ao oeste subia,

Destino de espaço a espaço a cada década exprimia,

Não pergunto se os corpos existem,

Mas á eles tudo se fundia,

Na ogiva fulgida das colunatas

Que outrora gordurosas velas sua luz vertia,

Veste-se agora de lustrais irradiações intensas,

Brilho de lâmpadas suspensas,

Do alto céu então o divino abraça,

Um mundo novo que tudo ameaça

Como conchas no mar que refletem a luz do sol,

Cintilação silenciosa do destino transporta a noite,

Olhos nevoentos estendem-se pelo horizonte.

IX

De tudo então agora se aproxima,

O milênio quinhentos anos eu fazia,

Eis que o encanto em que seguia

Das margens verdes, amplas praias

Que com belezas incomparáveis se estendia,

De entrelaçados mangues parelhava-se alvuras areias,

Doce vida que outrora, bródio, canção se ouvia;

Bruna espessa expandia,

Melodia triste, por tudo, nódoas escuras a vida consumia;

Atribulada a terra fecunda mortifica

O divino fragela-se, flamejante ao sol

Ilumina aquela desilusão que aqui trouxe

Seres racionais que ouça comparar-se ao divino seu semelhante,

Mas, que atos, tão vil se mostram como estão distante,

E agora ó doce terra,

Suportaras ainda por quanto tempo

Esse indigno ser que pisas sobre ti!

Hipocrisias, dobles, imitação,

É isso que mereces!

Á terra meiga por mais que sofrestes

Sua excelência sobrepuja-se sua robustez perfeita ri-se

Da bestialidade desses que se dizem benevolentes para contigo.

X

Então, sob o neblinar, cândidos passos caminham,

Incrustar sob uma areia fina

A obscenidade daqueles que a terra já consumia,

Minha velha ama como estas mudada!

Canta-me cantigas de confiança de outrora,

Que tudo nasce em seu seio, esperança

Já não sofres, dispersa pisadas mancas,

No leste, sob as nuvens a luz do sol trás a láurea,

E sob o fragoso profundo a ponto de ocultar o fundo,

Cândidos olhos observa aquele sol de amor que vem do fundo,

Escaldar a terra com amor profundo,

Ó suave e frescos ventos do mundo

Trouxe-nos de novo aos puros céus qual vidro transparente e puro,

O divino nos olhos iluminando.

ESCRITO POR Josemar luis Camargo 3 K leituras
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