Palatino
Depois de acabar de percorrer grande parte da suntuosidade dos domínios do meu palácio, tendo tirado as botas e, enxugado a testa com um lenço que trazia no bolso sentei-me a uma cadeira que há muito havia se posicionado na projeção horizontal da varanda, e consequentemente dava-me à possibilidade de independência em relação às características do momento e espaço presente.
"De tranqüilo céus e terra fecunda, ah, fala comigo ó força introspectiva, meus olhos como de muitos anos, cândido em tam contínua liberdade, a tudo examina, oclusão até então, da obvenção de um mundo em acessão ria no tosco entendimento, oblongos desejos que sustenta a abobada dos ventos."
Meus filhos tornaram-se bem educados dotados de incomuns faculdades espirituais, infetadas, apenas, de desejos de entretenimentos .
"Arranquem verdadeiras lágrimas de meus olhos, não obstante de sentir secreta alegria no mais íntimo da alma, em ação que possui tanto poder e tristeza, e as lágrimas que acompanham em nada podem diminuir sua força".
"Ah, minha querida Ester, como era bom ter você a meu lado, nosso amor em conjunto enviava muito mais sangue ao coração, vão, vão meus filhos, eu aqui fico e choro de tristeza".
Entretanto, o que tinha diante de meus olhos fazia com que eu suspirasse aliviado. Quanto a eles alguma imaginação de esperança ou de alegria abria os orifício da minha artéria venosa .
"Deixe-me aqui com minhas lembranças, meu mundo contemplativo que é um exercício da virtude e um soberano remédio contra as paixões, deveis poderoso rei, a tudo imaginei , levar-te-ei toda essa liberdade, não, não, fará nisto vossa alteza, os olhos do divino eu julgarei, mas, para onde se estende fremosa massa verde, se meus olhos não alcançam se quebra no horizonte, Ester, Ester, você não estas mais aqui".
Sei que é noite que importa que horas sejam: tenho que me manter vivo. Mas não posso impedir-se de desmaiar, ou de chorar, ou de tremer, ou de ter o sangue todo agitado como se tivesse febre .
Enfim, sei que agora é dia. Se de tudo já alicerces ressentia, tenho que me manter em pé. Sim caminhar: daquela paz, visões altas, meu só bem que vos a vós não vê, mas se sentia. As sombras das paineiras que sob meus pés, fria água vertia. Aqui sob essa plataforma natural posso ver todo o palácio soberano. Sim é isso! O mais possível o que me é útil.
"Oh, não, não tenho meio de conservá-la porque sinto contrariedade a ela, preciso andar...".
Assim, enquanto andava senti uma profunda transformação no meu principal órgão físico. Imagens de grande plasticidade envolvia minha existência. Uma transitoriedade as traziam : de súbito, resvalo sob uma grande pedra . "Alto, palatino," falou uma voz, "Porque pisa em min, sou mais forte de nós dois". "Quem fala comigo". "Aquele que galga as mais altas montanhas e ri de todas as tragédias lúcidas e de todas as tragédias sérias, continuou a falar, porque se abate diante dos mortais".
Então aconteceu que eu me tornei mais leve: pois, o grande granito abriu-se num longo corredor.
"Vê, continuou a falar, entre, o que vale vosso existir e se nada vale porque estais aí".
Um vento leve e lento impeliu-me para dentro. Meu êmulo espírito a nada resistia . Já , portanto se descobriu um calor e um invisível poder de sopro que os movimentos de meu corpo recebia; depois pela aquela via que meus dois olhos considerava a natureza inteira via-se fatias cuneiformes tridimensionais todas se movendo, agitava-se meu sangue, tudo sentia os órgãos e comunicava aos ossos e à medula ou o prazer ou um ardor contrário.
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Por fim sem ter noção exata da extensão e massa que percorri, emergi para um plano além de tudo que conhecia como real. No que parecia para min o leste sob estranhas nuvens a luz de um sol nunca visto antes trazia uma láurea formada de milhões de estrelas . E sob um fragoso profundo a ponto de não ocultar o fundo, volveu aquela voz : "Compreendestes o divino, que é tudo trevas, luz e sempre faz no infinito do espaço, onde estais, na sua frente onde mais".
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