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Relativismo Cultural

A minha análise do fenômeno etnocentrismo não significa apenas um “ponto de vista” ou um pensamento dado, acha-se, sobretudo, dentro da questão fundamental sociológica em geral.

Relativismo Cultural

A minha análise do fenômeno etnocentrismo não significa apenas um "ponto de vista" ou um pensamento dado, acha-se, sobretudo, dentro da questão fundamental sociológica em geral. De modo que, antes de indagarmos o que é etnocentrismo devemos pensar o que é um dos grandes instrumentos de poder da sociedade contemporânea; porque a burguesia necessita do mecanismo de exclusão, de vigilância, de punição, de treinamento; como se chegou à sociedade da norma, da saúde, da vigilância? Porque 'psicologizar "e" medicalizar "o criminoso, o escolar"? Qual o valor a importância de conhecermos o que é "Hermenêutica do Sujeito[1]"?

[1] Hermenêutica do Sujeito, ou seja, a arte de interpretar o sujeito e sua relação consigo mesmo. Termo desenvolvido por Michel Foucault. (N D P).

O QUE É ETNOCENTRISMO

A) Pensando em partir; a visão de mundo é o "eu", o ser se projetando, a relação do individuo consigo mesmo. Os elementos existenciais do ser no mundo vão se tornando a soma das interações humanas numa totalidade de valores onde sentimento e pensamento que formam o fenômeno da atração dão a realidade social o processo de coexistência no Entendermos o etnocentrismo como processo é procurar uma nova compreensão da vida social. Quando olhamos para o dia-dia, percebemos que as formas de subjetivação, ou seja, de "dizer a verdade" torna o etnocentrismo uma estética da existência, uma prática que busca os atos e suas justificações necessárias, a noção de governamentalidade é um dos principais conceitos operatórios para tal genealogia. O eu e o outro em suas formas lexicais já nos dão um campo conceptual de relações heterogêneas. Observa-se o adjetivo étnico-americano, isto é, a economia americana arrastando outras economias numa parcial dependência dela, de modo que nós como sujeitos condicionados ficamos como os "macacos da terra" ou "ovos de piolhos". Saber, isso me faz pensar o que é diferente "eu" ou o "outro"?

B) Primeiros movimentos; com efeito, o superior desenvolvimento do homem deve-se à sua relutância em aceitar os limites do mundo exterior como seus limites extremos. Os sonhos, os impulsos, as intuições, torvelinhando dentro dele, faz do homem um ser de relação. Foi assim no Portugal do final do século XV e inicio do século XVI; os mundos subjetivos e objetivos em constante interação. "Nem sempre o que é bom para mim é bom para o outro". O homem vive em um mundo temporal que transcende os limites de seu ambiente espacial – o mundo do passado, do presente, e do possível; ou se quisermos o real, o realizando e, o realizável. A antropologia pragmática, isto é, aquilo que o homem faz como ser livre, ou então o que pode e deve fazer de si mesmo, nos dá uma exposição de como sua vontade de perfeição o tem tornado desumano, cruel, negador da própria vida. Um dia desses quando caminhava pelo centro velho de São Paulo, encontrei algo que esboçava essa realidade; numa esquina de uma dessas ruas sinuosas, notei, sentados em uma manta, uma mulher e duas crianças pequenas, sendo uma ainda de colo; qualquer observador poderia notar que aquela mulher e seus dois rebentos eram remanescentes de um povo indígenas que, além das características físicas, vendiam ainda objetos de sua cultura. Assim, num instante refleti como o passado é um sonho formado; o presente, um pesadelo; o futuro, uma ilusão dourada; aquele povo, aqueles que ali estavam mendigando não conseguiu acompanhar os limites estreitos e pragmáticos da sociedade humana; eles eram os donos dessa terra, tinham o espírito maravilhosamente orientado na direção oposta aos conquistadores, entregues agora a uma total subversão da sociedade européia. Então, eu pergunto escravizar um povo, degradar sua cultura até a ponto de extingui-la não seria um sentimento mítico exagerado que o homem tem de sua própria importância?

Assim, "pensar o outro", entendermos que o homem do ocidente atrevia-se a proezas de tanta coragem e audácia, que teria sido inconcebíveis em que tivesse uma noção mais sensata de suas próprias limitações ou uma compreensão mais exata de seus escassos méritos.

C) O passaporte; Boas, não organizou e apresentou para a posteridade uma teoria da cultura que permitisse, a alguém que fizesse uma "historia das ideias" antropológicas, pelo fato de ter percebido que o homem não é um ser acabado, sendo, portanto, um ser de relação um projetar-se no mundo uma luz elaborando constituições existenciais básicas. No entanto, percebendo a subjetividade como processo, esse se projetar é constitutivo da realidade humana, de modo que, jamais atingirá a realização plena ou totalização. Não concordo com o autor Everardo Rocha quando afirma que estudando a diferença com uma antropologia humilde se desenvolve o encontro de um mundo concreto; somos essenciais para a significação do que nos rodeia, mas, não precisamos ser fracos para a existência das coisas percebidas.

D) Voando alto; chegamos num ponto em que podemos perguntar qual a razão do antropólogo procurar determinar que momento e de que maneira os humanos se afirmaram como diferentes da natureza fazendo o mundo cultural surgir? Comumente, dizia-se que os humanos diferem da natureza graças à linguagem e a ação por liberdade. Mas, espera ai! Nos então não fazemos parte da natureza? Decretar uma lei apenas nos faz diferente! Talvez a lei do cru e cozido, desconhecida dos animais! Acredito, que todo antropólogo procura uma ordem simbólica, não seria assim que buscamos atribuir realidade significações novas por meio das quais somos capazes de relacionar com o ausente: pela palavra, pelo trabalho, pela memória, pela diferenciação do tempo (passado, presente, futuro) etc.

Se os fatos sociais são irredutíveis aos fatos individuais a melhor maneira ou o primeiro passo para conhecermos uma cultura é entendermos sua linguagem.

Durkheim entendeu que há alguns fatos na vida social inexplicáveis pela analise física ou psicológica; há maneira de agir, pensar e sentir externos ao indivíduo e dotados de poder de coerção sobre ele. Acredito que esse fenômeno repousa quando generalizamos algo para indicar qualquer objeto de preferência ou escolha, ou seja, o valor. E, se invertermos esses valores tradicionais? Não estaríamos praticando uma espécie de relativismo dos valores?

Vejamos outro expoente da "escola funcionalista"; Malinowski, etnógrafo por excelência percebeu desde cedo á importância do trabalho de campo. À arbitrariedade das categorias[1] utilizadas para Malinowski fabrica instituições, complexos culturais e estágios evolutivos que não encontram correspondência em qualquer sociedade real. Observador atento, Malinowski foi mais do que um simples antropólogo, foi uma espécie de psicanalista da antropologia, não se contentou com as informações de forma indireta, acreditava que a ordenação das questões apresentadas é feita freqüentemente em termos de categorias alheias ao universo cultural investigado, introduzindo assim, pequenas ou

[1] Categoria; determinação do ser, ou seja, da realidade humana do ser-ai (Daisen) termo desenvolvido por Martin Heidegger. (N D P).

grandes distorções no próprio material etnográfico. Desse modo, a razão de preferir a observação direta, isto é, convivências diárias, participando de conversas e acontecimentos da aldeia.

E) Á volta por cima; por fim, a autor Everardo Rocha nos fala da importância de Lévi-Strauss para a antropologia, e de como o "estruturalismo" tentou ou deu a volta por cima; em nossa breve exposição do termo procurarei demonstrar como que as relações internas existentes entre as partes – relações essas que são necessárias e funcionais – não consiste simplesmente na soma de suas partes. De modo que "estrutura" nesse sentido reduz-se a um sistema de operações abstratas, e seu significado é o de uma combinatória geral, que assim, toma um aspecto particular ou concreto, quando preenchida por uma semelhança, isto é, pela representação de um fenômeno determinado. O conceito de cultura, por exemplo quando tem um ideal de formação completa, a realização do homem em sua formação autêntica ou em sua natureza humana, assumi, uma condição concreta; a utilização do trabalho de campo tanto com os índios como a vida social do homem civilizado deu a Lévi-Strauss uma ideia de como o funcionalismo dessa estrutura se correlacionam como forma autônoma de pensamento ou de vida; a "filosofia nativa" como dizia, que é a forma como um grupo social expressa sua própria atitude em relação ao mundo ou como procura resolver o problema da sua existência. Acredito, portanto, se ainda temos mito é porque ele segue um processo diacrônico. A concepção de tempo dentro da antropologia pode ser observada no próprio sistema de relações que a compõe e, a partir desse gênero que consiste a sociedade, ou seja, o tempo como estrutura de possibilidade: sistema de parentesco e de filiação, sistema de comunicação lingüística, sistema de troca econômica, da arte, do mito e do ritual. Se interpretarmos o tempo em termos de possibilidade e projeção o que podemos fazer para uma reciprocidade, uma solidariedade entre observador e o observado? F) Código de nossas culturas; "é preciso compreender o ser em relação a ele próprio e não em relação a mim". Com essa máxima Lévi-Strauss nos dá a entender o valor em se conhecer e a importância de uma elaboração de um sistema dos sistemas, ou seja, o código lingüístico e um sistema de regras que permite a articulação dos traços de parentesco com modos de comunicação (códigos de parentesco), deve existir um sistema de regras que prescrevem a equivalência entre o signo lingüístico e o signo parental. Podemos chamar esse sistema de "metacódigo", visto ser um código que permite definir e nomear outros códigos a ele subordinados. Percebemos como a unidade do sistema assim, explicitada, não constitui uma forma fechada em si, pelo contrário, caracteriza-se pela constante abertura em direção aos acontecimentos.

Vale apenas lembrarmos aqui o comentário que Merleau-Ponty fez da obra de Lévi-Strauss: [...] A obra de Lévi-Strauss nos dá aperceber um duplo aspecto da estrutura: de um lado, ela organiza segundo um principio interior, os elementos que a compõem; de outro, ela é um "instrumento de conhecimento", um modelo compreender o real, mas que não pode "substituir" o real; ela "não é uma idéia platônica", um arquétipo imperecível que dominaria a vida de "todas as sociedades possíveis": é preciso bem que ela seja recriada "na dinâmica do presente [...].

Portanto, se etnocentrismo é atitude emocionalmente condicionada que leva a considerar e julgar sociedades culturalmente diversas com critérios fornecidos pela própria cultura, ao invés de perguntarmos o que é etnocentrismo, deveríamos nos preocupar em como acabar com ele!

ESCRITO POR Josemar luis Camargo 3 K leituras
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