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O POETA E O MUNDO

Negar, interrogar o vazio, o eu artístico que se apresenta como um vazio atormentado; mas teria todos os poetas o desejo de tornar a obra apreciável por todos.

Negar, interrogar o vazio, o eu artístico que se apresenta como um vazio atormentado; mas teria todos os poetas o desejo de tornar a obra apreciável por todos? Tornar a matéria o coração à floração significativa como beleza é única província legitima do poema? Ou há apenas existencialismo niilista codificado em poesia? O que é o signo do não? A alta freqüência em que discorre os versos de Drummond nos faz inferir nas linhas centrais do pensamento pós-moderno. Pós-moderno porque? Porque aquele modernismo sofria um relativismo ao realismo, simbolismo, romantismo etc. Uma poesia, então, é uma psicose, com todos os absurdos, delírios e ilusões de uma psicose. Uma psicose de curta duração sem duvida, inofensiva – às vezes louvável por outrem -, até mesmo de toda de uma função útil, introduzida como consentimento do individuo e concluída por ato de sua vontade. Ainda assim, é uma psicose e com ela apreendemos que, mesmo uma alteração da vida mental tão profunda como essa, pode ser desfeita e dar lugar à função normal. A intuição do mundo que nos cerca. A Máquina do Mundo. Um congenialmente moderno o mundo ditando-lhe A Bomba.

Sensação e reflexão são o mesmo que dizer em poesia (poeta, sensação), (mundo, reflexão); no poema-objeto de Drummond estas duas fronteiras como expansão da enorme capacidade da mente do homem, cujo vôo vai além das estrelas e não podem ser confinados pelos limites do mundo; da frequência de seus pensamentos se estendendo bem além da mais alta expansão da matéria e faz excursões pelo vazio de toda esta variedade de conhecimento e das variegadas fantasias e opinião de todas as palavras, encontra as combinações, a hierarquia de seu pensamento subordinando-se a uma hierarquia cosmogónica. A coletividade de suas palavras, fóssil, míssil, urna, foice, lex, fudex, mocotó, bomba, estereofônico, comparsaria; percebemos que a linguagem utilizada por Drummond, que vai de termos usais a termos e espécies fonológicas, e elementos linguísticos criado pelo poeta para mostrar simultaneamente a autonomia e interdependência do sincrônico e do diacrônico, pode-se também observar a recusa às formas batidas e o senso vivíssimo da antimodernidade como libertação. Não obstante, de significativa influencia ocidental em concepções que se espalham fielmente em suas palavras; bomba, míssil; e será legitimo, em todo caso, esse recurso ao exterior em busca de um estimulo para melhor organização da poesia? Em Drummond a solidez realmente ocupa espaço. Impersonalismo, tecnicismo, instrumentalismo percorrem a mesma rota. Esta e a ideia que faz parte do corpo, em qualquer lugar que a imaginamos ela ocupa espaço.

Passemos agora, do mundo intuitivo do poeta, para uma análise racional de seus versos. Usarei aqui a palavra "verso" não no seu sentido estrito, ou primitivo, mas como o termo mais conveniente, para exprimir em geral e sem pedantismo tudo quanto está implicado na consideração de ritmo, rima, metro e versificação. "Isso é aquilo", mesmo no poema-objeto de Drummond ao tocar seu limite encontra na realidade, o assunto excessivamente simples; um décimo dele, possivelmente, pode ser chamado ético; nove décimo, porém, pertencem às matemáticas, e o todo está incluído nos limites do mais vulgar senso comum. O prosaico, o irônico é a arte de arranjar as palavras em versos de correspondente extensão. Não é tal: de modo algum é essencial a correspondência entre extensão dos versos. As odes pindaricas em Drummond parecem apagadas, por certo, exemplos de versificação nominalistica na extrema concatenação fisicalista, e tais composições, porem, são assinaladas pela extrema diversidade, na extensão de seus versos alguns intelectuais profundo podem ter fracassado, primeiro, porque eram intelectuais; segundo porque eram profundos e, em terceiro lugar, porque eram muitos – ao afirmarem que em Drummond há um anti-retórico. Ora me dica, como posso manipular as palavras, isto é, compostos de sons e de sentido sem abster-se da retórica? Porque não há poesia abstrata (mesmo se a chamarmos "concretas") se, mesmo sem falar da música, a não-figuração impô-se em pintura. Lembro-me bem do Officíe des poetes nº 3, de 1969, falava a respeito dessas tentativas de poesia não-significante. Para melhor entendermos Drummond é necessário lembrar-nos como duas linguagens entram contra um adversário comum, o discurso transparente, que impõe o conceito abstrato. Podemos usar a seguinte tripartição: linguagem comum (conceito), linguagem figurada (palavra), linguagem poética (coisa). Não esquecemos que já se pôde reajusta a tese saussuriana do arbitrário do signo, mostrando que, para o sujeito que fala, nada é mais necessário que a conexão do significante e do significado. Entretanto, o próprio signo, além da sua dualidade constitutiva, é distinto do referente: o sentido último do discurso está exatamente nessa visão das coisas, ao mesmo tempo ausente (a palavra substitui a coisa). Nessa nossa análise simples do poeta em questão, nos permite observar a trans-retórica como os poetas preferem chamar, isto é, antes de tudo determinar qual grau de modificação é compatível, agora não apenas com o bom funcionamento da figura, mas também sua aceitabilidade pela consciência estética. Ou seja, a ciência da literariedade, o que remete a estética o problema dos efeitos e do valor. Mas voltemos à versificação, ou seja, a arte de arranjar as palavras. C.D.A. é o arquiteto de seu mundo poético, como um bom poeta sob produzir a beleza rítmica por um desequilíbrio inesperado, obstinado lutador na área das palavras: procura os mais eficazes, renova-lhes a expressividade por associações imprevistas, intensifica-as pelo ritmo. Sua lei interna busca uma perfeita harmonia entre o fundo e a forma. Sua consciência artista preocupante, de modo a produzir harmonia pela alternação regular de silabas que diferem em qualidade; em outras palavras, pela alternação de silabas longas são, necessariamente, longas ou curtas, sabia ainda aproveitar inovações validas, como desintegração sintática e vocabular. Se eu dispusesse de espaço, nada me daria maior prazer do que continuar a escandir todas estatísticas do vocabulário do nosso autor. Mas já ultrapassei esta reflexão.

O Poeta e o Mundo o mesmo que pensarmos uma harmonia entre o gênio e o seu tempo. Ao estudarmos Drummond observa-se o caráter do e da reabilitando figuras históricas e literárias até então incompreendidas, e a angustia, metafísica, que propõe a espiritualização da matéria encontrando o sentido transcendental da criatura humana foram vertentes temáticas muito ricas e permitiram o surgimento de momentos raros na poesia universal através de Carlos Drummond de Andrade, entre outros. A poesia do cotidiano, do local, do ambiente provinciano e familiar, com seus costumes e tradições nos mostra como o poeta não é um simples foco refletor; mas possui o seu próprio espelho, a sua percepção consciente, como o ruído do choque de duas gotas de água'que se deve ouvir mesmo sem ter consciência.

Para finalizar, lanço aqui uma semente para a sociologia moderna, que, interessa principalmente analisar os tipos de relações e os fatos estruturais ligados à vida artística, como causa ou conseqüência: a integração e a diferenciação que veja a modernidade como ela é e não como ela era. A palavra polifonia parece ter envelhecido se considerarmos o passado como moderno.

ESCRITO POR Josemar luis Camargo 3 K leituras
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