Os Domingos Não Sabem Amar
O que existe nos domingos que os outros dias não conseguem sustentar? Talvez o amor nunca tenha desaparecido. Talvez apenas tenhamos aprendido a chamá-lo por outros nomes. Onde estará o amor? Não escrevo para encontrá-lo. Escrevo para sangrar a alma que, às vezes, passa tempo demais fingindo que já não sangra. Sou filho e criado pela loucura. E dela me refaço todos os dias. Fui feito pela falta e jamais preenchido pelo vazio. Amei o desejo, tornei-me melhor amigo da angústia e acabei fazendo um pacto com o amor. Muitos falam sobre o amor. Poucos suportam permanecer quando ele deixa de ser bonito. Amar talvez seja isso: suportar o outro sem tentar devolvê-lo à imagem que fazemos dele. O único amor que conheço sem precisar compreendê-lo é o de mãe. O restante continua sendo hipótese. Eu me tornei o grande amor da minha vida, e isso me basta. Não para deixar de amar um outro, mas para não precisar que um outro me ensine a me amar. Em um fim de domingo, talvez o melhor ainda seja amar e contemplar o próprio respirar atravessando o vento. Porque o amor nunca chega. Apenas nos encontra quando deixamos de procurá-lo.
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