Restos de Domingo
A tarde deixou pratos na pia e um cheiro de café frio que insiste. Fico olhando as migalhas na toalha como quem lê um mapa de um país que já não existe mais no relógio.
O sofá guarda ainda o formato do corpo que ali ficou parado, sem pressa, enquanto o dia se despia devagar das suas roupas de domingo.
Há sempre esse instante final, quando a luz muda de cor na janela e a casa começa a lembrar que segunda-feira é uma palavra que corta.
Junto os copos, apago as luzes, guardo o silêncio como quem guarda o que sobrou de um banquete pequeno e descubro, sem susto, que a saudade também cabe nos restos.
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