Enquanto o Amanhã Acontece no Frio
Às vezes a angústia chega antes da pergunta. Corre pelo sangue que circula em meu corpo, atravessa minhas veias, minhas artérias, e se instala em algum lugar que não sei localizar. Talvez porque certas coisas não estejam feitas para ser encontradas, mas sentidas. O amor, a vida, a morte, tudo parece habitar o mesmo espaço quando penso demais. E quanto mais procuro compreender, mais me aproximo daquilo que não tem nome.
Há uma inquietação que às vezes se apresenta como euforia e, logo depois, se recolhe em melancolia. Penso no que ainda virá e, de repente, sinto a presença daquilo que um dia poderá partir. A vida carrega a morte em silêncio, assim como o amor carrega, dentro de si, a possibilidade da ausência. Talvez seja por isso que o futuro me angustie: porque ainda não aconteceu, mas já consegue me atravessar.
Talvez eu esteja procurando dentro de mim alguma coisa que somente o tempo poderá mostrar. Talvez as dores dos dias, as tristezas, a melancolia, a euforia, a loucura e a angústia estejam construindo alguém que ainda não conheço. Ou talvez não exista nada para encontrar. Talvez viver seja apenas atravessar o que chega, amar enquanto é possível e continuar mesmo sem compreender.
E que momento é esse que ainda não chegou? Bem, aí eu já não sei. Talvez eu só descubra quando o futuro deixar de ser futuro e já estiver acontecendo dentro de mim. Quem será eu no futuro? Ou será que o futuro é justamente aquilo que nunca poderei conhecer de mim?
© 2026. Todos os direitos reservados ao autor. É proibido copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas ou utilizar comercialmente esta obra sem autorização expressa do autor.
Classificação de conteúdo:
Publicado

Comentários