A SORTE DE FLORESCER
Penso rapidamente antes de escrever e, quando escrevo, eu vejo. Talvez seja esse o meu jeito de compreender aquilo que ainda não consigo dizer. Coloco em palavras. E nessa vida, nessa vida existe, sim, ou talvez, algo que precise de sorte. Nada é por acaso e nada vem sem muito esforço.
Acordar e respirar é um luxo e poucos sabem agradecer por isso.
Talvez porque a gente se acostume com o simples e deixe de perceber o quanto há de grandeza ali.
Ninguém alcança a humildade tão rápido sem antes tirar o sapato ou o chinelo e colocar os pés na terra.
Alcançar a simplicidade é com muito esforço. É preciso muita bravura para compreender que aquilo que parece pequeno pode carregar quase tudo aquilo que realmente importa. Talvez seja justamente quando aprendemos a agradecer pelo simples que começamos a perceber a sorte de estar aqui, de ainda poder olhar, sentir, respirar e escrever.
E quando penso em sorte, relembro uma canção. Talvez porque algumas coisas a gente só entende depois de vivê-las, e outras só depois de perdê-las.
Porque até as flores precisam de sorte. Algumas florescem para enfeitar a vida, outras, quando tudo termina, enfeitam a morte. E talvez seja essa a sorte: florescer enquanto há vida, antes que o destino nos transforme em flor da morte.
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