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A manhã chegou perto de mim

Levantei sem grandes planos e fui para o fogão preparar café. Talvez escrever seja uma coisa parecida: levantar, mesmo sem saber muito bem o que fazer com o dia, e colocar alguma coisa para ferver dentro da gente.

O café ficou amargo. Corrigi com um pouco de açúcar. Há dias em que o amargo já vem na medida certa, talvez até demais. Não precisamos acrescentar mais nada.

Sentei-me em silêncio. O café diante de mim, algumas palavras espalhadas e aquela sensação estranha de estar conversando comigo mesmo. Escrevo também para isso: para me lembrar que ainda estou aqui.

Até a dor de cabeça, hoje, ganhou outro significado. Ela dói, e talvez seja justamente por isso que eu perceba o corpo. Há alguma coisa viva reclamando espaço.

Se alguém me perguntasse o que eu quero hoje, talvez eu não soubesse responder.

Talvez eu quisesse apenas respirar.

E, por enquanto, talvez isso seja suficiente.

Respirar, viver, trabalhar, sustentar a própria existência e continuar atravessando a vida sem saber exatamente onde ela termina.

O café esfria.

Eu continuo escrevendo.

ESCRITO POR Jorge Lannes Junior 7 K leituras
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